
O capeta em forma de gente é vivido pelo ator Billy Bob Thornton (Foto Chris Large FX Networks/Reprodução)
Se o Encardido tem uma face humana, ela é a de Lorne Malvo, personagem da primeira temporada da série Fargo (2014), vivida pelo excelente ator Billy Bob Thornton. Reassistimos em três partes, sendo a última uma maratona de cerca de cinco horas diante da televisão, com breves intervalos para o xixi e para providenciar a pipoca.
O roteirista parece conhecer profundamente as maldades que uma pessoa pode cometer ou inspirar, como sendo guiado pelo Ardiloso. Desde sua primeira aparição, Malvo — assassino de aluguel — cumpre seus compromissos e, de quebra, espalha o mal a granel por onde passa.
As demais personagens orbitam em torno do rastro de mortes deixado pelo Enviado do Mal, seja por ação direta, seja por influência. O pistoleiro e os crimes que provoca permanecem impunes, já que o chefe de polícia raciocina de forma superficial, preso ao pressuposto de que um homem “banana” na infância jamais produzirá algo relevante — bom ou mau — na vida adulta.
Nós, espectadores, que sabemos quem é o assassino, nos indignamos com o descrédito dado à única policial capaz de pensar com clareza. Mas, por ser mulher, sua opinião é desqualificada. Ao final, quando admite o erro, o chefe anuncia sua aposentadoria.
As locações, sempre cobertas de neve, reforçam a sensação de angústia e depressão — especialmente para mim, que gosto de sol. As histórias de malignidade se entrelaçam e deixam a estranha impressão de que, no juízo final, restarão poucos para ascender ao céu.
Foi a minha impressão.
Você pode assistir a todas as temporadas da série na Prime Video, onde também está disponível o filme original que inspirou a continuação.
[Resenha XX/2026]

