06 de agosto de 2026

A viatura do crime

Por José Carlos Sá

A viatura do mal – A inversão moral e o poder corrompido (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)

Parece roteiro de filme B, daqueles em que você assiste já sabendo a próxima cena, quem é o bandido e como tudo vai terminar. Um grupo de quinze policiais militares, divididos em três guarnições que se revezam na mesma viatura, é responsável por um setor importante da cidade — área que concentra população, comércio e órgãos públicos.

Naquela região, aqueles homens não eram a lei. Estavam acima dela. Como eu disse, coisa de cinema.

A cada turno, os ocupantes da viatura percorriam pontos de tráfico de drogas, visitavam receptadores de objetos roubados e achacavam criminosos. Cobravam propina, protegiam traficantes que os pagavam e até liberavam presos mediante o pagamento de uma “fiança” improvisada.

Violavam diversos artigos do Código Penal: furto, roubo, receptação, prevaricação, tortura e corrupção passiva sistemática. E, para não dizer que eram seletivos, aceitavam até galinhas como forma de pagamento.

A engrenagem criminosa só foi descoberta durante uma operação de combate ao tráfico, quando se revelou que os agentes saíam diariamente em patrulhamento não para proteger a população, mas para enriquecer praticando os mesmos crimes que deveriam combater.

Faz sentido o que Chico Buarque cantava em Acorda amor:

“(…) Era a dura, numa muito escura viatura / Minha nossa santa criatura / Chame, chame o ladrão, chame o ladrão (…)”

[Crônica XCVIII/2026 – Crônica, infelizmente, inspirada em fatos]

Tags

Código Penal Polícia Polícia bandida Traficantes 

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