01 de agosto de 2026

MPB4: 60 anos de emoção – A resenha de hoje

Por José Carlos Sá

A formação atual do MPB4, a partir da esquerda: Paulo Malaguti. Dalmo Medeiros, Aquiles Reis e Miltinho Lima (Foto JCarlos)

Dizem que Napoleão Bonaparte, após invadir o Egito, incentivou sua tropa dizendo ao pé das pirâmides:

— Soldados! Do alto destas pirâmides, quarenta séculos vos contemplam!

Os chatos afirmam que ele errou por baixo, pois naquela época as pirâmides já tinham 43 séculos.

Ontem, enquanto aguardávamos a liberação de acesso ao auditório do Teatro Ademir Rosa, em Florianópolis, uma das presentes, falando a uma amiga, parafraseou o imperador francês ao avaliar a faixa etária ao redor:

— Temos aqui, seguramente, mais de 50 mil anos.

Decerto ela também errou para menos na soma das idades dos presentes.

Éramos centenas de velhos de todas as idades, impacientes, esperando para assistir ao show dos 60 anos de carreira do grupo vocal MPB4. Eu estava entre os mais ansiosos, pois a última (e única) vez que os vi foi no final da década de 1970 ou início da de 1980, no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte. Desde então, acompanhei a carreira pelo rádio e, mais recentemente, pela internet — inclusive durante a pandemia de Covid-19.

Da terceira fileira, vivi o espetáculo cantando junto as músicas que sei de cor e me emocionando com aquelas cuja história se confunde com momentos sofridos do Brasil, como “Roda Viva” e “Cálice”.

Como bom fã, enfrentei a fila para tirar fotos com o quarteto e aproveitei para perguntar a Aquiles — único remanescente da formação original de 1962 — qual foi a inspiração para a criação do grupo. Ele respondeu sem titubear: “Os Cariocas”. [Pesquisei depois: Os Cariocas foram formados em 1942, fizeram muito sucesso nas décadas de 1950 e 1960 e atuaram até 2016.]

Ao chegar em casa, Marcela quis saber como foi o show. Contei a história e lembrei que fiquei aguardando minha música favorita entre as favoritas: “A Lua”.

— Qual é?

— Dãm dãm dãm dãm…

— Ah, já sei — me interrompeu e começou a cantar um pagode: Lua vai / Iluminar os pensamentos dela / Fala pra ela que sem ela eu não vivo…  

— Ei, para de graça. “A Lua” é assim: A Lua / quando ela roda / é nova / crescente ou meia / a lua / é cheia / e quando ela roda / minguante e meia / depois é lua novamente / mente quem diz que a lua é velha…

E ficou a saudade do MPB4. Quem sabe se daqui a 50 e tantos anos nos vemos de novo?

P.S. A abertura do show foi com o cantor florianopolitano Kako de Oliveira, que já tínhamos visto no espetáculo de 60 anos da Udesc, em que Ney Matogrosso também se apresentou. Kako canta muito bem. Fiz uma selfie com ele. Daqui a pouco o cara fica famoso — e eu também…

[Resenha XIX/2026]

Material promocional do show (Reprodução)

“Cálice”, de Gil e Chico – proibida pela censura (Foto JCarlos)

Platéia somando 500 séculos de idade, segundo estimativa pessimista (Foto JCarlos)

Tietagem explícita (Foto Produção)

Kako de Oliveira, de Florianópolis, abriu o show (Foto JCarlos)

Com o Kako, para a posteridade (Foto JCarlos)

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Cálice Chico Buarque Gilberto Gil Kako de Oliveira Marcela Ximenes MPB4 Napoleão Bonaparte 

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