Dias atrás li sobre previsões da ficção científica que ainda não viraram realidade, como a máquina do tempo. Mas muitas já se concretizaram: smartphones, assistentes virtuais e até táxis-robôs.
Nos Estados Unidos, um desses veículos denunciou dois adolescentes em San Mateo, Califórnia. Eles bebiam cerveja e atiravam com arma de hidrogel nos transeuntes. O carro, ao detectar o “comportamento suspeito”, acionou a polícia e parou num estacionamento, aguardando a abordagem cinematográfica: armas em punho, cães bravos e ordem para que saíssem com as mãos erguidas.
Liberados depois, os jovens ainda podem responder por violação da lei de consumo de álcool. O chefe de polícia lembrou que a arma de brinquedo poderia ser confundida com uma real — e aí o desfecho seria trágico, como já vimos em casos brasileiros.
Resta a questão ética: até onde empresas de veículos autônomos podem vigiar e denunciar seus passageiros? Talvez seja tema para um filme cujo roteiro ainda não sabemos se está sendo escrito.
(X-9 é gíria para alcaguete, dedo-duro)
[Crônica LXXXI/2026]

