05 de julho de 2026

O cosmonauta interior

Por José Carlos Sá

O artista plástico Ricardo do Rosário ao lado de uma de suas criações (Foto JCarlos)

Em muitos momentos da vida nos sentimos sós, completamente abandonados à própria sorte. Essa solidão pode ser buscada por vontade própria ou imposta por circunstâncias inesperadas. Nos filmes Perdido em Marte (2015) e Devoradores de Estrelas (2026), ambos inspirados em livros de Andy Weir, vemos astronautas isolados nos confins do universo, obrigados a administrar sua sobrevivência. Não são os únicos: pelo menos três outros filmes já exploraram esse tema do viajante espacial solitário.

Foi com essa imagem em mente que encontrei o artista plástico Ricardo do Rosário, na abertura da exposição coletiva Tessituras do Invisível – Desdobrando Cascaes, da Academia Catarinense de Artistas Plásticos (ACAP). Ali, ele me convidou para visitar sua mostra individual na Biblioteca Universitária da UFSC. Eu já havia comentado neste espaço sobre a exposição Sentimentos, onde percebi a recorrência da figura de um astronauta em suas obras — sempre transmitindo, de forma subliminar, a ideia de solidão.

Sem título (Reprodução)

Ricardo do Rosário nasceu em Joinville (SC), é bacharel em Ciência da Computação na UDESC, MBA em Gerenciamento de Projetos na Estácio de Sá e pós graduado em Arte e Educação. Desde 2020 se dedica às artes. O tema “astronauta” não é o único assunto que retrata em suas telas, mas foi o que atraiu a minha atenção.

Corujas cósmicas (Foto JCarlos/Reprodução

Curioso, procurei suas redes sociais e descobri que o astronauta não era apenas um símbolo, mas uma espécie de alter ego. Pouco antes da abertura da mostra Meyer Filho – O calculista delirante, chamei Ricardo ao pé de sua obra Coruja Cósmica e perguntei como esse personagem havia surgido em sua trajetória artística.

HQ Astronauta do futuro (Reprodução)

Ele me contou que tudo começou em uma mentoria: “Foi nesse processo que descobri minha ligação com seres de outros planetas, incluindo o astronauta. Ele simboliza um ser solitário, solto no espaço, com todo o tempo e todo o espaço do mundo, mas sem ninguém para compartilhar. Essa é a ideia do astronauta.” Ao revisitar trabalhos antigos, lembrou de uma história em quadrinhos que havia criado no início dos anos 2000, já com esse personagem. “Percebi que essa ligação estava lá desde sempre.”

Astronautas – Marcadores de livros (Reprodução)

Desde pequeno, Ricardo se interessava por ficção científica. “Sempre gostei de filmes e literatura, especialmente de Isaac Asimov. Tanto que acabei me formando em ciência da computação.” Essa paixão pela tecnologia e pelo imaginário espacial se entrelaça com sua produção artística. Ele admite que o astronauta é também um reflexo pessoal: “Tudo que eu faço tem um pouco de mim. Muitas coisas que penso ou gosto não consigo compartilhar, porque não encontro pessoas com os mesmos interesses. É uma solidão, mas não triste — uma solitude que não faz mal.”

Montagem com cartazes de mostras (Reprodução)

Atualmente, Ricardo está retomando sua veia de quadrinista: “Estou trabalhando em uma história em quadrinhos. Essa pintura aqui é feita só com traços, justamente para resgatar essa habilidade. As exposições estão ficando em segundo plano por enquanto.”

Avistamento (Reprodução)

Ao falar de Meyer Filho, sua ligação se torna evidente: “Quando vi o ‘galo cósmico’, me identifiquei na hora. Descobri que ele criou toda uma mitologia de Marte, seres coloridos e diferentes. Vi muita coisa dele parecida com quadrinhos, com balõezinhos e textos. A coruja que pintei observa os seres do Meyer Filho. É uma homenagem.”

Assim, o astronauta de Ricardo do Rosário não é apenas uma figura recorrente em suas telas: é um espelho de sua própria solitude criativa, uma metáfora de quem habita mundos internos e os traduz em arte.

Nota: Este texto foi editado por inteligência artificial. 

[Crônica CXXXVI/2026]

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ACAP Astronauta Franklin Cascaes Meyer Filho Ricardo do Rosário 

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