01 de julho de 2026

O famoso “Quem?”

Por José Carlos Sá

 

Celebridade de hotel. Quem será? (Ilustração criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)

Uma das festas tradicionais de Santa Catarina é a do Pinhão, em Lages, sempre com artistas renomados como atração.

Um conhecido daqui de São José, que subiu a serra para participar do festejo, contou que, ao abrir a porta do apartamento no hotel, viu passar um sujeito alto, de óculos escuros estranhos — daqueles fechados dos lados, parecidos com os usados por soldadores. O homem estava acompanhado de dois seguranças no estereótipo clássico: corpulentos, de terno apertado e óculos escuros, mesmo sendo mais de nove da noite. Mais tarde, durante o show, meu amigo reconheceu o hóspede misterioso: nada menos que o DJ Alok.

Eu mesmo já passei por essa vergonha de não reconhecer celebridades. A primeira vez foi em Porto Velho, no antigo aeroporto Belmont. Esperava um colega de trabalho vindo de São Paulo, mas dois voos chegaram em sequência, um via Cuiabá e outro via Manaus. Fui para o desembarque sem saber em qual avião ele estava. 

Os primeiros a sair foram dois sujeitos sorridentes, com chapéus de cowboy de filme americano. Vieram direto até mim, me abraçaram, mas como não reagi, logo perceberam o engano e seguiram para quem realmente os aguardava. Atrás de mim, ouvi a maior festa. Até hoje não sei que dupla sertaneja era aquela.

A segunda mancada foi em Jaru, Rondônia, na reta final das eleições de 2002. Haveria um showmício com várias atrações, mas eu não fazia ideia de quem eram, pois estava na estrada há dias. No hotel, pedi para pagar a diária adiantado, já que sairia cedo. A recepcionista disse que levaria o troco até meu quarto. Achei estranho, mas aceitei.

Ao chegar ao andar, encontrei quatro seguranças. Um deles perguntou se eu era hóspede. Mostrei a chave e segui. Pouco depois, a recepcionista bateu à minha porta com o troco. Curioso, perguntei o que estava acontecendo.

— É o Bambam que está no apartamento ao lado, disse ela, excitada.

— Quem? — perguntei.

— O Bambam!

— Quem é Bambam? — insisti, já temendo não conhecer alguém “essencial” para a sobrevivência na Terra.

— Ora, Bambam, do Big Brother, BBB…

— Deixa pra lá — respondi, assumindo minha ignorância.

Ela saiu com a cara de quem pensava: “Como é que alguém não conhece o Bambam?”

Sei apenas que o tal Bambam continua famoso em algum universo paralelo chamado BBB, e do programa, pela insistência dos jornais que leio em colocarem chamadas para assuntos relacionados ao assunto. Perdem tempo, pois não leio nada vinculado a isso.

PS: Perdemos as eleições em 2002.

[Crônica CXXXIII/2026]

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Aeroporto Belmont Alok Bambam BBB Festa do Pinhão Jaru Lages Porto Velho Santa Catarina 

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