30 de junho de 2026

A neura da vez

Por José Carlos Sá

O pão queimou, mas a curiosidade ficou no ponto (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)

Quando criança, uma das minhas travessuras favoritas era espetar um pedaço de pão num garfo e levá-lo à chama do fogão. Gostava do pão tostado, comido ainda quente, acompanhado de manteiga ou margarina.

Às vezes errava o “ponto” e o pão queimava. Então raspava a parte preta com uma faca e comia o restante, mesmo com o gosto amargo. Os pais não aprovavam, diziam que fazia mal — mas naquela época a gente queria era confrontar o “sistema”.

O pão chamuscado não era exatamente uma iguaria, mas uma forma diferente de saborear o pão‑nosso‑de‑cada‑dia e escapar da rotina. Agora, porém, a Anvisa concluiu que nessas guloseimas se esconde um acelerador do câncer: a tal da acrilamida.

Quando a Marcela veio me contar isso (ela também gostava de pão sapecado), não entendi direito.

— Você sabe o que é “acrilamida”?

Eu não ouvi bem e respondi o que achei que tinha entendido:

— Sei sim. Quando eu era criança e tinha dor de garganta, mãe dizia que minhas amígdalas estavam inflamadas…

A esposa não gostou da resposta.

— Zé Carlos, eu falei A‑CRI‑LA‑MI‑DA. Presta atenção, não é brincadeira…

— Não estou brincando. O que é isso?

Ela explicou: alimentos ricos em carboidratos — batatas, pães, biscoitos, macarrão, pizza — quando submetidos a altas temperaturas e ficam tostados (como meu pãozinho no fogo), podem desenvolver acrilamida, substância associada ao câncer.

E só agora a Anvisa avisa?

[Crônica CXXXII/2026]

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Anvisa Leseira Marcela Ximenes Pão 

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