
Mototaxista mostrou nudes ao passageiro tentando uma corrida extra (Imagem gerada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)
Choveu forte durante toda a noite e, pela manhã, embora tivesse estiado, o céu seguia carregado, prenunciando nova tempestade. Desisti de ir ao trabalho de bicicleta e comecei a pesquisar nos aplicativos de transporte qual corrida sairia mais em conta. Os preços, tanto de moto quanto de carro, estavam altos e muito próximos, reflexo da grande procura.
Pressionado pelo tempo que escorria e pelo bolso, um moto-táxi aceitou a corrida com um valor razoável.
Era uma mulher quem pilotava. Pela foto no aplicativo, parecia jovem e bonita — não sei se era filtro, mas havia um certo atrativo. Quando chegou, o capacete deixava ver apenas os olhos, bem maquiados.
Subi na garupa e seguimos. Em determinado ponto, ela parou numa esquina e virou-se para mim, mostrando a tela do celular: o mapa do GPS oferecia duas alternativas de caminho — em azul escuro, o recomendado; em azul claro, o opcional.
— Qual caminho você acha melhor?
Olhei e respondi que sempre seguia pela esquerda, o azul escuro. Ela assentiu e, ainda virada para mim, deslizou para outra tela.
De repente, a moto-taxista exibiu várias fotografias dela mesma nua, insinuante, em diferentes poses. Olhou para mim, que fiquei sem ação, sem palavras e nada respondi. Talvez decepcionada por não conseguir “algo a mais”, recolocou o celular no painel e seguimos viagem.
Desembarquei, entreguei o capacete e ela partiu sem se despedir.
Que coisa, hein?
[Crônica CXXII/2026]
