
Enfim, todos saberão que os livros são (ou foram) meus (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot / Prompt e montagem JCarlos)
Quando eu tinha 15 ou 16 anos, li sobre os “ex-libris” — pequenas marcas que indicam o nome do proprietário de um livro. Geralmente, além do nome, trazem uma gravura que reflete a personalidade do dono.
Descobri também que eles surgiram logo após a invenção da imprensa por Gutemberg e que há quem os colecione como verdadeiras obras de arte.
Fiquei maravilhado com o assunto e logo comecei a imaginar um ex-libris só meu. Esbocei um olho atravessado, na córnea, em diagonal, por uma agulha de costura com um pedaço de linha preso.
Como não sou bom desenhista, fui aperfeiçoando o rascunho até chegar a um resultado aceitável. Depois, saí em busca de quem pudesse fabricar o carimbo — já que outro modelo de ex-libris é impresso em papel e colado na contracapa do livro.
Na época, morávamos em Contagem. Procurei fabricantes de carimbos na cidade e em Belo Horizonte, mas os orçamentos eram proibitivos para mim. Arquivei a ideia, embora sempre que via um ex-libris lembrasse do meu olho transpassado pela agulha.
Neste mês de maio, apareceu para mim no Facebook uma promoção do Dia das Mães: uma fábrica oferecia carimbos personalizados, com assinaturas, bichinhos e, claro, ex-libris.
Desenterrei do fundo da memória meu projeto de selo para a biblioteca particular. Fiz um desenho em papel, mas ficou torto. Resolvi então usar as ferramentas do computador.
Busquei imagens na internet e as combinei manualmente, sem IA, apenas com minha BN — burrice natural.
Depois, entrei em contato com a fábrica, aprovei o orçamento e a arte. Agora estou com o meu sonho realizado, aguardando apenas coragem para tirar os livros da estante e carimbar cada um deles.
[Crônica CXII/2026]


