20 de maio de 2026

O lado social do atchim

Por José Carlos Sá

Espirros em série, bênçãos em eco. O ritual invisível da empatia cotidiana (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot)

Desde criança aprendi — e passei a repetir — o que entendia como sinal de boa educação: ao ouvir alguém espirrar, eu dizia “saúde”. Nunca parei para pensar se aquilo era realmente um desejo sincero de bem-estar ou apenas um reflexo automático.

Dias atrás, uma conhecida espirrou e eu, prontamente, soltei o “saúde”. Ela agradeceu, mas logo em seguida veio uma sequência interminável de espirros. Ao final, comentei que havia desejado mentalmente saúde para cada espirro da crise.

— Muito obrigado, Zé, você é muito simpático. Eu gosto quando espirro e as pessoas próximas me desejam saúde, é sinal de que se importam comigo.

— Pois é, aprendi a dizer saúde mesmo sem conhecer a pessoa…

— Já o Fulano [namorado dela], sabendo das minhas crises, espera eu terminar e solta: “Já acabou? Se continuar assim vai ficar gripada” — e outras gracinhas. 

— Então vou te ensinar uma fórmula para quem ignora um espirrante. Se você espirrar e ninguém desejar saúde, diga alto: “Atchim – saúde – amém! Perto de mim não tem ninguém!” — e pronto, a indireta está lançada.

Depois dessa conversa, fui pesquisar a origem do costume. O Google me contou que dizer “saúde” nasceu da superstição, virou hábito e hoje é visto como ato de educação e empatia.

Segundo a IA, na Idade Média acreditava-se que o espirro expulsava a alma do corpo. O “saúde” servia para evitar que o diabo ocupasse a vaga. Com o tempo, o gesto foi incorporado aos costumes e hoje é entendido como cortesia, cordialidade e atenção ao bem-estar do próximo.

Então, para você que espirrou: saúde!

[Crônica CII/2026]

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