Estou hospedado em um bairro de Contagem onde as ruas carregam nomes de ordens religiosas. Rua dos Franciscanos, Rua dos Redentoristas, Rua dos Barnabitas.
Também estão presentes os Trapistas, Salesianos, Capuchinhos, Jesuítas, Maristas e Vicentinos. Depois vêm os Carmelitas, Beneditinos, Agostinianos e Lazaristas.
É como se cada esquina guardasse um pedaço da história da fé.
Ao comentar essa curiosidade com a Marcela, ela retrucou:
— Isso sim é nome de rua. Que me perdoe o seu Menino deputado…
Em São José, onde moramos, a rua leva o nome de um deputado estadual que exerceu mandato entre 1959 e 1967. Marcela não se conforma. Para ela, ruas deveriam carregar nomes de flores, árvores, pássaros, bichos — até de ordens religiosas, mas não de gente.
E acho que ela tem razão. A dinâmica natural mostra isso: quem é importante hoje, por qualquer motivo, amanhã já é passado e depois de amanhã vira fumaça.
O tempo é implacável com as vaidades humanas.
Que as homenagens às celebridades — muitas vezes efêmeras — sejam feitas de outra forma. Pois, afinal, de que adianta ser nome de rua se ninguém mais sabe quem foi a criatura?
[Crônica LXXXVI/2026]

