
Da Terra, pudemos acompanhar os astronautas da Missão Artemis II dar um bordejo na Lua e voltar só trazendo fotos… (Imagem criada por IAgo Copilot)
Os astronautas da Missão Artemis II estão voltando à Terra depois de alguns dias de intensa publicidade sobre um “rolê sideral”, como bem definiu o colunista Tutty Vasques.
Foi muito oba-oba para um resultado aparentemente modesto: um recorde de distância percorrida pelo homem no espaço e algumas fotos do lado oculto da Lua — que, aliás, as sondas chinesas já haviam revelado desde 2020.
Confesso que fiquei frustrado. Sem acompanhar os detalhes da missão, apenas via as manchetes e aguardava a tão esperada alunissagem. Quando li que já estavam voltando, a surpresa foi inevitável.
Fui ver algumas das mais de dez mil fotos feitas pelos tripulantes e não encontrei nada além do que já sabemos. Belas imagens da Terra em todos os ângulos, sim, mas nenhuma novidade.
Lembrei-me então de uma conversa com o garoto Heitor — filho dos amigos Keyla e Sávio Beckhauser — quando tentei convencê-lo de que São Jorge mora na Lua, acompanhado de seu cavalo e empenhado em derrotar um dragão que também vive por lá.
Nas fotos divulgadas pela NASA, com direito a superzoom, vasculhei o nosso satélite em busca desses ilustres moradores. Nada. Talvez tenham se escondido, avessos à publicidade, já que o tal sobrevoo orbital foi transmitido ao vivo pela internet.
No fim das contas, não vi astronautas descerem na Lua, tampouco os personagens que acredito habitarem por lá. Enfim, uma missão espacial que acabou servindo apenas como assunto alternativo à guerra no Oriente Médio — que, por pouco, a região não virou pó.
[Crônica LXXXI/2026]
