25 de março de 2026

Tele Saúde, Fé e Fedegoso

Por José Carlos Sá

A saga da perna que não se decide (Imagem criada pelo assistente IAgo Copilot/Prompt JCarlos)

Comecei a prestar atenção, de forma consciente, aos avanços da Medicina quando o mundo inteiro soube do primeiro transplante de coração realizado pelo médico sul-africano Christiaan Barnard, em 1967. Eu tinha apenas onze anos, mas já ouvia esse assunto no recreio do Grupo Escolar Divino Mestre, em Belo Horizonte, e nos noticiários de rádio e televisão.

Hoje, chegamos ao ponto de cirurgias serem acompanhadas pela internet, e a prefeitura local anunciou como presente de aniversário da cidade o “Tele Saúde São José”, que, segundo a propaganda oficial, já caiu no gosto do povo, com mais de mil consultas nos primeiros dias de funcionamento.

No meio dessa transição, enfrento um problema no joelho: bolinhas que viraram mancha e renderam diagnósticos variados. Primeiro, os vizinhos chamaram de “zipra”, nome popular da erisipela. Vieram as receitas caseiras: erva-penicilina, babosa, fedegoso. Testei, mas piorei.

Resolvi fazer o que deveria ter feito antes: fui ao postinho de saúde. Mostrei a perna ao médico e perguntei se não poderia ser herpes zóster, que já tive há seis anos. Ele olhou, digitou algo no computador e respondeu enfaticamente:

— Não é herpes zóster, é celulite infecciosa! Olha aqui.

Virou o monitor e mostrou fotos de pernas com lesões semelhantes. Prescreveu um remédio por sete dias e pediu retorno para avaliação. A pele começou a ressecar e, na volta, a enfermeira chamou uma médica que disse:

— A herpes está cicatrizando.

Quase gritei:

— Uai! Não era celulite?

Ela explicou que o médico havia registrado no prontuário que poderia ser uma coisa ou outra.

Procurei uma terceira opinião. A dermatologista afirmou que não eram herpes nem celulite, mas sim uma infecção por fungos. Prescreveu um antibiótico que me causou alergia e me levou à UPA. Agora trato da alergia e da perna. O remédio para alergia está funcionando, mas a perna continua incomodando.

Por via das dúvidas — e com mais fé na eficácia — recorri a uma benzedeira, que fez uma reza para curar a zipra. Estou aguardando os resultados.

[Crônica LXIV/2026]

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