18 de março de 2026

Do anonimato ao protagonismo: mulheres de São José – A resenha de hoje

Por José Carlos Sá

Um olhar feminino sobre 276 anos de história

Capa do volume 2 de Algumas de Tantas Mulheres (Reprodução)

A cidade de São José comemora amanhã, no Dia do Padroeiro, seus 276 anos de criação, marcados pelo desembarque dos primeiros 182 casais de açorianos que vieram povoar este pedaço do continente. Nada melhor, portanto, do que mergulhar na história e conhecer essa jornada até os dias de hoje — mas sob o olhar feminino.

É exatamente isso que o leitor encontra no segundo volume da trilogia Algumas de tantas mulheres de São José (Editora Independente,São José-SC, 2025), escrito por três josefenses: Giana Schmitt Souza, Jane Maria de Souza Philippi e Maria José Carvalho de Souza. O lançamento acontece hoje à noite, como parte das comemorações do aniversário da cidade, após um pré-lançamento realizado em 7 de março, no Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis.

Albertina Krummel Maciel, primeira vereadora de São José e também a primeira mulher a ser presidente de uma Câmara Municipal em Santa Catarina (Foto carlosacelino.blogspot.com/Reprodução)

O livro dá voz às mães, filhas, irmãs e esposas que, muitas vezes no anonimato, ajudaram a construir a cidade em que vivemos. São benzedeiras, parteiras, professoras, catequistas, jogadoras de futebol e vôlei, sambistas, misses, ceramistas, tabeliãs e políticas.

Maria Caminhã e Piru fazem parte do folclore josefense (Imagem Jane Philippi/Reprodução)

Entre as biografias, aparecem uma prefeita e várias vereadoras, mas também figuras folclóricas como Maria Caminhão e sua amiga Piru, Macena e Maroca — todas tratadas com o mesmo respeito e rigor historiográfico.

Um dos capítulos é dedicado às mulheres envolvidas na Revolução Federalista, tema já comentado em outra resenha. Ali estão familiares de revoltosos e de legalistas, que sofreram os efeitos da guerra civil. Destacando que São José foi o principal foco de resistência ao governo autoritário de Floriano Peixoto.

Segundo a escritora Giana de Souza, a ideia de destacar as “mulheres federalistas” surgiu com a passagem dos 130 anos da Revolução (1893–1895). Como já havia pesquisa mostrando que São José era o centro do movimento em Santa Catarina, as autoras decidiram incluir mulheres de ambos os lados do conflito, já que todas tiveram suas famílias atingidas pelas perseguições.

O próximo livro das autoras será dedicado a contar como São José se tornou o principal foco de oposição ao florianismo no Estado. A última obra da trilogia, ainda sem data definida, encerrará esse ciclo sobre as mulheres josefenses.

Este segundo volume amplia o entendimento sobre o trabalho quase invisível das mulheres que deram suporte para que pais, maridos, filhos e irmãos se destacassem. Mas também evidencia aquelas que romperam barreiras e desenvolveram, sozinhas, grandes projetos pessoais.

Recomendo.

Serviço

O quê: Lançamento do segundo volume do livro Algumas de tantas mulheres de São José  

Quem: Giana Schmitt de Souza, Jane Maria de Souza Philippi e Maria José Carvalho de Souza

Quando: 18 de março de 2026, às 18h

Onde: Museu Histórico Municipal Gilberto Gerlach – Rua Gaspar das Neves, 1755 – Centro Histórico de São José 

Preço: R$ 60,00

[Resenha VI/2026]