Quando cheguei para a vernissage da exposição Tessituras do Invisível – Desdobrando Cascaes, algumas mulheres chegaram ao mesmo tempo, vestindo roupas de festa em modelos bastante exóticos: uma usava uma rede de pesca como xale; outra trazia um arranjo na cabeça com penas pretas; e mais uma exibia asas translúcidas iluminadas por pequenas luzes ao redor dos apêndices alares.
Imediatamente me veio à mente o filme Uma Noite no Museu (2006), pois o evento acontecia no Museu de Arqueologia e Etnografia (Marque) da UFSC e tinha como tema a releitura da obra do professor Franklin Cascaes. Nada mais natural, portanto, do que imaginar os seres mágicos pesquisados por Cascaes prestigiando a mostra.
Foi nesse clima de artes plásticas e magia que a exposição foi aberta, marcando a sétima e última mostra coletiva de 16 afiliados à Associação Catarinense de Artistas Plásticos (Acap), como parte das comemorações dos 50 anos da entidade, em que o folclorista Franklin Cascaes foi um dos fundadores.
A instalação permite interagir com as obras que têm como suporte estandartes de tecido – como cortinas -, nos quais foram aplicadas técnicas de costura, bordado, xilogravura, frotagem e diversos materiais como arame, plástico, ilhóses, fotografias, estêncil, renda e papel de arroz, entre outros. Todas foram realizadas em preto e branco, em referência direta ao trabalho de Cascaes.
As releituras foram organizadas pelas curadoras Meg Tomio Roussenq e Anna Moraes em três eixos:
- Corpo, Território e Ruptura – obras que investigam o político, o urbano e as vivências contemporâneas.
- Memória, Paisagem e Metamorfose – trabalhos que exploram transmissão, escuta, natureza e transformação.
- Presença e Ausência – eixo que traz oito bancos em branco, em alusão aos bancos de Cascaes, como lugares de escuta, trocas e criação.
A seguir, as fotos das obras, apresentadas conforme o roteiro proposto pela curadoria, para facilitar a identificação.
SERVIÇO
O quê: Exposição Tessituras do Invisível – Desdobrando Cascaes
Onde: Marque – Museu de Arqueologia e Etnografia/UFSC
Rua Engenheiro Agrônomo Andrei Cristian Ferreira, S/N – Campus Trindade
Quando: Até 25 de setembro de 2026 – De terça a sexta-feira, das 7 às 19h
Quanto: Entrada gratuita
[Crônica LVI/2026]

Cascaes – Sílvia Zanatta Da Ros – Texto/Instalação sobre colonização e “bruxarias do capitalismo” (Foto JCarlos)

Sem título – Roberto Viotti – Mata Atlântica, especulação imobiliária, perda do imaginário (Foto JCarlos)

Oratio Praesidiu – Eliane Veiga – Estandarte de voal, proteção contra forças contemporânias (Foto JCarlos)

“Oração a São Miguel Arcanjo para afastar bruxas” (Detalhe da peça Oratio Praesidium) – Aparentemente ninguém evocou São Miguel Arcanjo na noite de abertura da exposição da Acap (Foto JCarlos)

Cortina Rendada – Maria Esmênia – Papel arroz costurado sobre seda, rendas e tradição (Foto JCarlos)

Sobre simples bancos, história extraordinárias são contadas – Gavina – Xilogravura sobre pano americano, banco como narrador (Foto JCarlos)

Caterva Bruxólica recebida pelo presidente da Acap Gelcyr Ruiz (de braços levantados) (Foto JCarlos)

O reitor da UFSC, professor Manoel de Souza Ferreira, prestigiou a abertura da exposição e ouviu a reivindicação para que o acervo da obra de Franklin Cascaes, sob guarda da Universidade, seja disponibilizado ao público (Foto JCarlos)

A instalação permite o diálogo com as obras, como o caso dessa bruxa e a rede de captura de Rodrigo Gonçalves (Foto JCarlos)


















