No coffee break de um seminário, um colega se aproximou, leu meu nome e cidade no crachá e disse:
— Eu estava olhando para o senhor e o achei muito parecido com o meu cunhado.
Sorri e agradeci. Mais tarde, no corredor, ele me chamou para mostrar a foto do tal cunhado e, de fato, havia alguns traços em comum: olhos verdes, barba curta e a papada.
Nesse caso, concordei com a sugestão de “parecença”. Afinal, já houve situações em que me acharam parecido com alguém apenas por causa da esclerótica — o famoso “branco do olho”.
Uma senhora, por exemplo, me disse que eu lembrava o pai dela, já falecido. O marido e as irmãs confirmaram a semelhança, mas a mãe — que tinha mais autoridade no assunto — não viu nenhuma analogia.
Mas o episódio mais curioso de “sosiedade” aconteceu em Porto Velho. Poucos dias depois de chegar, alguém me perguntou se eu era irmão do “Mendonça”. Respondi que não: meu irmão se chama Paulo Roberto, nunca esteve em Rondônia e, além disso, nós dois não temos traços fisionômicos parecidos.
Pouco tempo depois, ao ser apresentado a uma pessoa do sul do Estado, ouvi novamente:
— Não sei se já lhe disseram, mas você é parecidíssimo com o Mendonça!
E quem nos apresentava confirmou:
— É mesmo! Agora estou notando a semelhança!
Fiquei curioso e ansioso para conhecer meu “irmão” do Norte. Em cada viagem ao Cone Sul de Rondônia, aguardava o momento de esbarrar no tal Mendonça, com quem eu supostamente me parecia “muito”.
Foram mais de seis meses de expectativa até que, em Colorado do Oeste, durante um evento político, alguém me pegou pelo braço e me levou até o fundo da sala para o tão aguardado encontro. O Mendonça — que já tinha ouvido falar de mim — veio de braços abertos. Rimos juntos. Não havia nada em nossas fisionomias ou no físico que lembrasse um ao outro.
Ele era calvo; eu, de cabeleira média. Ele ostentava um bigode à mexicano; eu, barba. Ele era mais “cheinho”; eu, naquela época, esbelto. A única coincidência: olhos verdes. Será que foi isso? Mistério que nunca esclareci.
Ah, já ia me esquecendo: essa foi a única vez que nos encontramos nos mais de 30 anos em que morei em Rondônia!
[Texto publicado originalmente no Jornal do Cool do Mundo – Edição 17 – 07032026]

