04 de março de 2026

Foguetes fora de hora

Por José Carlos Sá

Os foguetes foram soltos quando viram o carro preto (Imagem criada por IAgo Copilot/Montagem JCarlos)

O amigo Lúcio Albuquerque lembrou, em coluna recente publicada em sites de Porto Velho, um causo acontecido na então capital do Território Federal de Rondônia. A história foi contada pelo capitão Esron Penha de Menezes, jornalista, funcionário público e responsável pela implantação da Guarda Territorial e do Corpo de Bombeiros.

Seu Esron relatava que era a final da Copa do Mundo de 1958. O Brasil disputava contra a seleção da Suécia, e a população tentava acompanhar a partida pelas ondas das rádios Tupi e Nacional, que chegavam quase inaudíveis, cheias de estática, dificultando entender o que os locutores diziam.

Segundo ele, a Seleção Brasileira vinha fazendo uma campanha brilhante: havia vencido três dos cinco jogos disputados, marcado 11 gols e sofrido apenas três. No jogo final, entre ruídos e chiados, os torcedores ouviram o grito de “gol” e começaram a comemorar, soltando fogos e se abraçando. Só depois alguém alertou que o gol havia sido da Suécia. O Brasil venceu por 5 a 2, mas os porto-velhenses festejaram, por engano, o primeiro gol sueco.

Carro preto

Eu vivi uma cena parecida, também em Porto Velho, mas em 1989. Na época, eu era assessor do vice-governador Orestes Muniz e fomos à inauguração do Hospital Cemetron – Centro de Medicina Tropical de Rondônia.

O Departamento de Cerimonial do Governo havia contratado alguém para soltar uma bateria de foguetes quando o governador Jerônimo Santana chegasse ao local. Para isso, posicionaram olheiros nos acessos.

Quando o carro em que estávamos – um Opala Diplomata preto de representação – surgiu na estradinha que levava ao Cemetron, um dos sentinelas deu o sinal e o pirotécnico acendeu o estopim, lançando uma salva interminável de foguetes barulhentos.

O vice-governador pensou que tínhamos chegado junto com o governador e só depois percebeu que confundiram o carro dele com a viatura oficial. Soube depois que Jerônimo Santana, vendo ao longe o foguetório, comentou com seus assessores:

— Olha lá, estão inaugurando sem a minha presença…

Não sei se o foguetório precoce trouxe problemas para alguém, mas que foi ao mesmo tempo engraçado e constrangedor, isso foi.

[Crônica L/2026]