Já assisti a muitos filmes em que criminosos, depois de matar suas vítimas, as mutilam. Em alguns casos, para dificultar a identificação dos corpos; em outros, para facilitar a ocultação do cadáver; ou ainda, em rituais macabros. Geralmente no cinema — há um código tácito — os culpados são encontrados, presos e pagam por seus crimes. Mas a regra tem exceções.
Nada, porém, do que eu já tinha visto em filmes e livros se compara a uma notícia que li sobre a condenação por homicídio de dois homens que já estavam presos cumprindo sentenças. Suas penas foram somadas às condenações originais de latrocínio e tentativa de homicídio, respectivamente.
O crime aconteceu em outubro de 2023, em uma das celas do presídio masculino de Lages (SC), enquanto a vítima cortava os cabelos de um dos agressores. Um dos homens imobilizou a vítima com um golpe chamado “chave de braço” ou “mata-leão”, enquanto o outro detento segurava braços e pernas para impedir qualquer reação.
Procurei a motivação do crime e descobri que se tratava de vingança. Segundo o Ministério Público, a vítima havia praticado uma conduta anterior que resultou em um castigo coletivo.
Até aí, tudo bem: mortes por vingança são comuns nos noticiários policiais do mundo todo.
O que me deixou estarrecido foi a conclusão do crime. Após a morte do colega de cela, os homicidas assumidos separaram a cabeça do corpo e retiraram o coração. Um deles chegou a comer um pedaço do músculo cardíaco da vítima.
E não é só isso: a decapitação e a retirada do coração foram feitas com uma simples lâmina de barbear.
Nem quero imaginar como ficaram os dois vampiros — e a cela — lambuzados de sangue…
[Crônica XXXIX/2026]

