Resolvi colecionar os tipos de golpes em que não caí, mas que chamaram atenção pela originalidade no quesito “bizarrice”. Parece que os tais algoritmos informam aos golpistas que o velhinho aqui tem a atenção atraída sedutoramente por e-mails e mensagens oferecendo coisas improváveis.
Já fui convidado a ser sócio — sem precisar aportar capital (exceto uma pequena quantia de “caução”) — de uma viúva sul-africana que queria investir em São José (!!!). Também já fui “homenageado” com um título de Comendador, que incluía diploma, troféu, medalha, barrete, pin metálico, selo de qualidade e até o carimbo do Diário Oficial para provar autenticidade. Para receber a honraria, “só” teria que ajudar com a despesa do jantar.
Contei aqui que o FBI estava atrás de mim para eu resgatar uma quantia de mais de dois milhões de reais — na cotação daquele dia — liberada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, depois de um processo transitado em julgado. Eu tinha 24 horas para reivindicar a fortuna, mediante o pagamento de uma taxa de administração, que achei até razoável: apenas 300 dólares. Como não tinha essa quantia na hora, perdi o direito ao que era “meu”.
Enquanto listava os golpes mais criativos, lembrei de uma tentativa feita contra mim em janeiro de 2015. Eu havia acabado de comprar um celular e estava na loja da Vivo, em Porto Velho, configurando o aparelho. Quando a vendedora estava na fase final de ajustes, chegou um SMS da própria operadora. Pensei que fosse algo como “Seja bem-vindo a Vivo”. Mas não: era um aviso de que eu tinha sido sorteado e ganhado um carro EcoSport 0 km + R$50.000, na “seleção premiada”. Também declinei o presente.
Mais recentemente, recebi um e-mail que foi direto para a pasta de spam. Nele, o Governo dos Estados Unidos (será que o presidente Trump gosta de mim?) informava, através do Conselho de Estabilidade Financeira da OCDE, que estava indenizando vítimas da Covid-19 com uma reparação equivalente a USD 3.750.000,00 (três milhões, setecentos e cinquenta mil dólares americanos).
A bufunfa é tentadora, mas abri mão por três razões básicas: primeiro, a honestidade — eu não tive Covid; segundo, não acredito em dinheiro caído do céu (a não ser se eu fosse vizinho de alguém procurado pela Polícia Federal); e terceiro, não tenho US$250 para pagar as taxas de transferência.
Como podem ver, sou um alvo preferencial de golpes esdrúxulos!
[Crônica XXXVI/2026]

