23 de fevereiro de 2026

Quando o golpe é criativo, vale a história

Por José Carlos Sá

O senhor dos golpes não caídos (Imagem criada por IAgo Copilot)

Resolvi colecionar os tipos de golpes em que não caí, mas que chamaram atenção pela originalidade no quesito “bizarrice”. Parece que os tais algoritmos informam aos golpistas que o velhinho aqui tem a atenção atraída sedutoramente por e-mails e mensagens oferecendo coisas improváveis.

Já fui convidado a ser sócio — sem precisar aportar capital (exceto uma pequena quantia de “caução”) — de uma viúva sul-africana que queria investir em São José (!!!). Também já fui “homenageado” com um título de Comendador, que incluía diploma, troféu, medalha, barrete, pin metálico, selo de qualidade e até o carimbo do Diário Oficial para provar autenticidade. Para receber a honraria, “só” teria que ajudar com a despesa do jantar.

Contei aqui que o FBI estava atrás de mim para eu resgatar uma quantia de mais de dois milhões de reais — na cotação daquele dia — liberada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, depois de um processo transitado em julgado. Eu tinha 24 horas para reivindicar a fortuna, mediante o pagamento de uma taxa de administração, que achei até razoável: apenas 300 dólares. Como não tinha essa quantia na hora, perdi o direito ao que era “meu”.

Enquanto listava os golpes mais criativos, lembrei de uma tentativa feita contra mim em janeiro de 2015. Eu havia acabado de comprar um celular e estava na loja da Vivo, em Porto Velho, configurando o aparelho. Quando a vendedora estava na fase final de ajustes, chegou um SMS da própria operadora. Pensei que fosse algo como “Seja bem-vindo a Vivo”. Mas não: era um aviso de que eu tinha sido sorteado e ganhado um carro EcoSport 0 km + R$50.000, na “seleção premiada”. Também declinei o presente.

Mais recentemente, recebi um e-mail que foi direto para a pasta de spam. Nele, o Governo dos Estados Unidos (será que o presidente Trump gosta de mim?) informava, através do Conselho de Estabilidade Financeira da OCDE, que estava indenizando vítimas da Covid-19 com uma reparação equivalente a USD 3.750.000,00 (três milhões, setecentos e cinquenta mil dólares americanos).

A bufunfa é tentadora, mas abri mão por três razões básicas: primeiro, a honestidade — eu não tive Covid; segundo, não acredito em dinheiro caído do céu (a não ser se eu fosse vizinho de alguém procurado pela Polícia Federal); e terceiro, não tenho US$250 para pagar as taxas de transferência.

Como podem ver, sou um alvo preferencial de golpes esdrúxulos!

[Crônica XXXVI/2026]

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Comendador COVID-19 FBI Golpes São José Vivo 

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