11 de fevereiro de 2026

Terceira Idade: Manual de Iniciação

Por José Carlos Sá

Algumas dicas para os sexagenários novatos (Imagem criada pelo assistente virtual IAgo Copilot)

Um amigo meu está na reta final para entrar no “Club Sexi”. Sexagenários. E veio pedir dicas sobre os direitos que passa a ter ao completar 60 anos. O maior interesse dele é conquistar o tão sonhado “passe” para não pagar passagem no transporte coletivo.

Fui obrigado a ser o desmancha-prazeres: expliquei que esse benefício só chega aos 65. Como consolação, sugeri que até lá ele providencie o Cartão de Estacionamento para Idosos, disponível online pelo aplicativo da CNH Digital ou no site da Prefeitura de São José. A validade agora é vitalícia, o que dispensa aquelas idas anuais ao guichê da prefeitura para renovar o benefício.

Mas logo me lembrei: ele tem uma moto. Ou seja, cartão de estacionamento não serve para nada. Motociclistas estacionam onde bem entenderem.

Lições práticas

Com 60 anos, o cidadão ou a cidadã passa a ter — teoricamente — atendimento preferencial em qualquer lugar. Repito: teoricamente. Nos bancos, lojas de departamento e supermercados, sempre há um guichê para PCDs, gestantes, lactantes, mulheres com crianças no colo e os 60+.

Na prática, não é raro ver gaiatos tentando furar a fila ou caixas insuficientes para atender a demanda, o que torna a fila “prioritária” maior que a comum.

Nos lugares com senha, o drama continua. Muitas vezes, chamam cinco senhas comuns para uma preferencial. Já vi isso na farmácia onde busco meus remédios de uso contínuo. Minha estratégia? Gero uma senha comum e uma preferencial. Assim, aumentam bastante as chances de ser atendido rápido.

Falando em remédios, peça ao médico para receitar sempre aqueles incluídos na lista da Farmácia Popular. Sei que o governo distribui apenas os de menor preço, mas isso ajuda a economizar para comprar os mais caros. Afinal, o preço dos remédios para idosos parece seguir a lógica da idade: quanto mais velho, mais caro.

E, por fim, mas não menos importante: nunca confie cegamente na faixa de pedestres. Espere ter certeza de que os motoristas já enxergaram você. É melhor aguardar alguns segundos do que arriscar atravessar e precisar correr para escapar de um atropelamento. Já não somos tão velozes quanto há 50 anos.

O restante é se acostumar a ser chamado de “tio” pelos mais jovens. Não é de todo mal: apenas nos lembra da idade — e, quem sabe, até nos dá certo prestígio.

[Crônica XXVII/2026]

Tags

Atendimento Preferencial Prefeitura de São José Terceira idade 

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