Um amigo meu está na reta final para entrar no “Club Sexi”. Sexagenários. E veio pedir dicas sobre os direitos que passa a ter ao completar 60 anos. O maior interesse dele é conquistar o tão sonhado “passe” para não pagar passagem no transporte coletivo.
Fui obrigado a ser o desmancha-prazeres: expliquei que esse benefício só chega aos 65. Como consolação, sugeri que até lá ele providencie o Cartão de Estacionamento para Idosos, disponível online pelo aplicativo da CNH Digital ou no site da Prefeitura de São José. A validade agora é vitalícia, o que dispensa aquelas idas anuais ao guichê da prefeitura para renovar o benefício.
Mas logo me lembrei: ele tem uma moto. Ou seja, cartão de estacionamento não serve para nada. Motociclistas estacionam onde bem entenderem.
Lições práticas
Com 60 anos, o cidadão ou a cidadã passa a ter — teoricamente — atendimento preferencial em qualquer lugar. Repito: teoricamente. Nos bancos, lojas de departamento e supermercados, sempre há um guichê para PCDs, gestantes, lactantes, mulheres com crianças no colo e os 60+.
Na prática, não é raro ver gaiatos tentando furar a fila ou caixas insuficientes para atender a demanda, o que torna a fila “prioritária” maior que a comum.
Nos lugares com senha, o drama continua. Muitas vezes, chamam cinco senhas comuns para uma preferencial. Já vi isso na farmácia onde busco meus remédios de uso contínuo. Minha estratégia? Gero uma senha comum e uma preferencial. Assim, aumentam bastante as chances de ser atendido rápido.
Falando em remédios, peça ao médico para receitar sempre aqueles incluídos na lista da Farmácia Popular. Sei que o governo distribui apenas os de menor preço, mas isso ajuda a economizar para comprar os mais caros. Afinal, o preço dos remédios para idosos parece seguir a lógica da idade: quanto mais velho, mais caro.
E, por fim, mas não menos importante: nunca confie cegamente na faixa de pedestres. Espere ter certeza de que os motoristas já enxergaram você. É melhor aguardar alguns segundos do que arriscar atravessar e precisar correr para escapar de um atropelamento. Já não somos tão velozes quanto há 50 anos.
O restante é se acostumar a ser chamado de “tio” pelos mais jovens. Não é de todo mal: apenas nos lembra da idade — e, quem sabe, até nos dá certo prestígio.
[Crônica XXVII/2026]

