04 de fevereiro de 2026

Comitês não salvam vidas

Por José Carlos Sá

O combate ao feminicídio não se faz apenas com palavras apenas (Reprodução Internet)

O presidente Lula anunciou hoje — com pompa e circunstância — o lançamento do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, unindo os três poderes em uma ação coordenada “com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil”.

Os dados mais recentes, publicados pela Agência Senado em 3 de fevereiro, apontam que o país registrou cerca de 1.470 casos de feminicídio em 2025 — o maior número desde a tipificação do crime, em 2015. Isso significa uma média escandalosa de quatro mortes por dia. Os números são alarmantes, mas o que mais preocupa é a impunidade e a banalização do tema, tratado muitas vezes como se fosse apenas uma briga de bar ou uma desavença de vizinhos.

No último sábado, um conhecido meu chamou a polícia após ouvir, junto com outros moradores, os ruídos de uma agressão contra uma mulher. “Ele bateu nela o dia inteiro e não apareceu uma viatura. Ninguém quis ir lá, pois o cara tem fama de violento…”, relatou.

Outro caso, ocorrido esta semana em Vila Velha, na Região Metropolitana de Vitória (ES), escancara o sentimento de impunidade que alimenta os agressores. A vítima saiu de casa para denunciar maus-tratos e ameaças na delegacia, mas foi perseguida pelo agressor, que repetiu as intimidações diante dos próprios policiais.

O homem foi preso em flagrante e já respondia a investigações por lesão corporal, ameaça e injúria, todas no contexto da Lei Maria da Penha. Está agora à disposição da Justiça. Infelizmente, a mulher corre mais perigo do que antes.

Voltando ao Pacto, o Portal UOL destacou que a criação de um “comitê contra o feminicídio”, anunciada pelo presidente Lula nesta quarta-feira, foi a única medida efetiva apresentada. Não houve lançamento de políticas públicas, contratação de pessoal ou criação de órgãos específicos para enfrentar o problema.

Na minha humilde opinião, apenas um comitê dificilmente será capaz de reverter esse quadro devastador. Os números são estarrecedores — e cada caso individual que eles representam é ainda mais doloroso.

[Crônica XXI/2026]

Tags

Feminicídio Lei Maria da Penha Presidente Lula 

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