
As armas foram encontradas em um esconederijo nas montanhas de Toscolano (Fotos guardapost.it / Montagem JCarlos)
Dias desses, apareceu para mim, no Facebook, um texto sobre armas da Segunda Guerra Mundial encontradas em uma área de montanhas na região de Toscolano, no norte da Itália. Eram três submetralhadoras TZ45, fabricadas entre 1944 e 1945, em apenas seis mil unidades.
As armas estavam escondidas em um refúgio, numa região marcada por intensos confrontos entre as forças da República Social Italiana — regime instaurado por Benito Mussolini após a queda do fascismo — e os grupos guerrilheiros da resistência italiana, que lutavam contra fascistas e alemães.
Não se sabe — e provavelmente nunca se saberá — se essas armas foram ocultadas por soldados ou pelos partisans. Enquanto não se descobre a quem pertenciam, o material foi encaminhado para restauração e passará a integrar o acervo de um dos museus locais. Um que preserva a memória da República Social e outro da resistência a ela.
A notícia, embora antiga (nova para mim, que desconhecia o fato), trouxe à memória um livro que li ainda nos anos 1980, sobre um grupo de ex-militares ligados ao ex-governador Leonel Brizola, que decidiu resistir pelas armas ao golpe militar de 1964.
A história é extensa, envolvendo dinheiro e treinamento dos futuros guerrilheiros, enviados de Cuba a Brizola, então exilado no Uruguai. Há também relatos de que alguns homens foram à ilha de Fidel para aprender táticas de combate.

Parque Nacional de Caparaó. Em algum lugar, nesse mar de montanhas, existem armas escondidas desde a década de 1960 (Foto ICMBio/Divulgação)
O episódio, conhecido como “guerrilha de Caparaó”, foi desbaratado antes que o grupo realizasse qualquer ação ou disparasse um único tiro contra a ditadura. A Polícia Militar de Minas Gerais prendeu os 16 (ou 20) integrantes, que estavam na Serra do Caparaó, na divisa entre Minas e Espírito Santo.
Não me recordo dos detalhes do livro — que já não tenho mais — mas lembro que, durante a reportagem do autor, Gilson Rebello, houve a tentativa de localizar os esconderijos das armas que seriam usadas na resistência. Ninguém jamais as encontrou.
Foi esse detalhe que despertou o meu interesse: procurar as armas tão bem escondidas que nem quem as ocultou sabia mais onde estavam. O que pesou contra a “busca ao tesouro” foi o tamanho do desafio: o Parque Nacional do Caparaó, palco da tentativa de contragolpe, tem “apenas” 317,6 km² de área. Eu não saberia nem por onde começar.
Quem sabe essas armas, compradas com o “ouro de Fidel Castro”, ainda apareçam um dia, quando algum montanhista tropeçar nelas, como aconteceu na Itália?
[Crônica XX/2026]

