
Colocaram fogo no caixão para garantir que o morto não voltaria (Imagem criada pelo IAgo, assistente Copilot Microsoft)
Sempre que encontro um fato inusitado — numa notícia ou numa conversa — penso se não daria roteiro de filme. Alguns caberiam num suspense de Hitchcock, numa fantasia de Spielberg ou num terror de José Mojica Marins, com o Zé do Caixão.
Sem ser roteirista, sigo escrevendo crônicas e recontando histórias absurdas que chegam até mim. Já houve quem invadisse velório para metralhar o caixão, ou quem matasse o próprio afilhado sem perceber quem era.
Desta vez, o episódio aconteceu em Coaraci, cidade baiana a 450 quilômetros ao sul de Salvador. A cena repetia o padrão das lembranças anteriores: familiares e amigos velavam o corpo de um homem — em dívida com a lei — morto numa troca de tiros com policiais, quando a capela velatória municipal foi invadida por homens armados e encapuzados. Eles expulsaram todos do local.
Em seguida, derramaram um líquido sobre a urna funerária e atearam fogo, enquanto outros disparavam contra o caixão. Depois, fugiram do cemitério.
A polícia militar esteve presente, ouviu testemunhas e fez buscas infrutíferas na região. O caso foi transferido para a polícia civil que, até o momento em que escrevo, apenas informou que o homem velado tinha diversas autuações por tráfico de drogas, pertencia a uma facção criminosa da região e era considerado extremamente perigoso.
Talvez por isso os rivais tenham decidido se assegurar de que o sujeito estava realmente morto. A cena lembrava aquelas histórias de vampiros, que só descansam em paz depois de uma estaca de madeira é atravessada no coração — para garantir que não voltem a perturbar ninguém.
[Crônica XIX/2026]
