
Os jornais trazem casos de polícia que desafiam a lógica natural das coisas (Imagem criada pelo assitente IAgo Copilot/Colagem Airbrush/IloveIMG/ BN PPT JCarlos)
Na terça-feira desta semana, foi encontrado morto, em um hotel de Maputo – capital de Moçambique – o banqueiro português Pedro Ferraz Correia dos Reis.
O nome, confesso, não me dizia nada. Nunca tinha ouvido falar do falecido. O que chamou minha atenção foram as circunstâncias da morte e, sobretudo, a conclusão da polícia moçambicana: suicidou-se com uma facada nas costas.
Li a notícia na minha fonte inesgotável de fatos inopinados, o portal português ZAP Aeiou. Os jornalistas lembram que as primeiras informações apontavam para um possível assassinato, mas logo foram desmentidas por uma nota oficial do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), que garantiu tratar-se de suicídio:
“Não há dúvidas nenhumas, até ao presente momento, de tratar-se de um caso de suicídio e não de homicídio, conforme tem sido propalado (…). As imagens recolhidas ao longo do percurso, os comprovativos de compra e os exames periciais sustentam, de forma inequívoca, que estamos perante um caso de suicídio.”
O corpo, no entanto, apresentava múltiplos cortes nas mãos, feridas no pescoço, numa coxa, no coração e nas costas. Um ex-policial ouvido pelo portal comentou:
“Não é impossível, mas é logisticamente difícil alguém conseguir ferir-se com profundidade numa zona corporal que não vê e onde a amplitude de movimento é limitada. E porquê esse esforço, se o objetivo é apenas morrer? E porque é que o faria num quarto de hotel, com uma faca de cozinha [levada] de casa?”
Resta aguardar se a investigação vai avançar ou se será arquivada – o que, sinceramente, parece ser o destino mais provável.
Na gaveta
Há muitos anos, em Porto Velho, soube de um suicídio que guarda semelhanças com o caso do banqueiro, pela estranheza dos detalhes.
Um policial foi encontrado morto na cama do casal, com um tiro na cabeça disparado pela própria arma funcional. Ele atravessava uma crise emocional que afetava vida pessoal e profissional, mas os colegas nunca perceberam sinais de que pensava em se matar.
A excentricidade do caso estava em um detalhe: a arma usada no disparo foi encontrada dentro da gaveta fechada do criado-mudo, ao lado da cama.
Na época, formulei uma teoria: ao puxar o gatilho, o braço teria se esticado num reflexo involuntário, fazendo a arma cair dentro da gaveta aberta, que se fechou sozinha com o peso do revólver.
A teoria não parece muito sólida, admito. Mas, diante de um homem que teria conseguido cravar uma facada fatal nas próprias costas, tudo é possível, não é?
[Crônica XV/2026]
