
A funcionária do posto de saúde se armou de uma raquete elétrica e fez um massacre na colônia de mosquitos (Imagem criada pelo meu assistente Iago Copilot com intervenções de BN JCarlos)
Mosquitos, humanos e a eterna disputa pelo território
O verão custou a se instalar. Oficialmente, a estação havia começado em 21 de dezembro de 2025, mas a primavera fria prolongou a sensação de atraso. Só em janeiro tudo voltou ao normal: calor intenso, chuvas irregulares, alagamentos e enxurradas que atormentaram os municípios da Grande Florianópolis.
Com o verão, vieram também os efeitos colaterais: as mosquitas hematófagas — apenas as fêmeas de pernilongos e borrachudos se alimentam de sangue —, as baratas saprófagas e oportunistas, e as moscas onívoras, pousando onde não devem e abusando da nossa paciência.
Dias atrás, moradores da região denunciaram à imprensa uma infestação constante de mosquitos, especialmente pernilongos e borrachudos, mais intensa no fim da tarde e início da noite, quando os insetos chegam em nuvens.
Aqui em casa, porém, o ataque é permanente. Na área de serviço coberta, há mosquitos escondidos em cada objeto. Ao abrir a porta da cozinha, uma revoada invade o interior. Na garagem, quando tiro o carro pela manhã, uma nuvem de carapanãs me escolta até a padaria e volta comigo. Alguns chegam a viajar na cabine, zombando da minha cara enquanto tento abatê-los a tapas.
Hoje cedo, no posto de saúde do bairro, enquanto aguardava meus remédios de uso contínuo, vi a funcionária da farmácia sair apressada, voltar com uma raquete elétrica e iniciar sua batalha. De onde eu estava, não enxergava a cena, apenas ouvia o chiado semelhante ao da fritura de batata congelada em óleo fervente: tchii, tchii, tchii, tchii, tchii, tchii, tchii…
Pelo tempo de ação, temi ser testemunha omissa de um entomocídio: um extermínio em massa de pernilongos, carapanãs, maruins e outros sugadores de sangue que nos deixam a pele irritada. Quando chegou minha vez de ser atendido, a mulher estava suada, mas sorridente. Havia protagonizado, com orgulho, “o massacre da raquete elétrica”.
O convívio entre humanos e esses seres alados jamais será pacífico. Essa guerra não conhecerá tréguas nem vencedores — pelo menos, não do nosso lado.
[Crônica XIII/2025]
