O sonho que tive na madrugada de sábado talvez tenha sido influenciado pela leitura, antes de dormir, de uma reportagem publicada no Jornal do Cool do Mundo, com a seguinte manchete: “O ET de Vilhena – Antes de Varginha, um OVNI teria passado por aqui”.
A matéria relata a história de um professor, morador de São Bernardo do Campo (SP), que apareceu na manhã de um sábado de janeiro de 1974 na rua principal de Vilhena, uma pequena vila, então com apenas 300 habitantes, localizada no extremo sul do Território de Rondônia.
O estranho é que o professor havia sido visto em São Bernardo na noite anterior e, horas depois, foi encontrado em Vilhena, a 2.100 quilômetros de distância. Naquele tempo, a viagem de carro entre as duas localidades levava pelo menos dez dias. Por via aérea seria mais rápido, mas nenhum avião aterrissou na vila durante a madrugada.
A única explicação plausível, segundo os moradores, é que o professor teria sido sequestrado por extraterrestres em um disco voador e, após a abdução (em qualquer acepção da palavra), foi deixado desacordado em uma rua do interior do Brasil. O mistério permanece até hoje e foi reaceso pelos editores do Cool do Mundo.

“Eu” fotografando ETs para ilustrar crônica (Imagem gerada por IA CoPilot, montagem sobre foto JCarlos)
E o meu sonho?
Sonhei que estava na casa da tia Josy e do Márcio, na Serra Catarinense. Logo pela manhã, nosso anfitrião me chamou para mostrar uma placa de aproximadamente um metro de altura, feita de um material semelhante ao mármore, que havia surgido, instalada em frente à porta do chalé onde eu estava hospedado.
Enquanto fui buscar o celular para fotografar, apareceu mais acima no terreno uma espécie de contêiner metálico branco. A porta exigia grande esforço para ser aberta por uma pessoa desconhecida, também chamada pelo Márcio.
Eu registrava tudo, já compondo mentalmente o texto que escreveria, quando minha atenção foi atraída por seis criaturas de feições humanas regulares, mas muito altas, magras e vestindo roupas inteiriças prateadas. Cada dupla carregava ferramentas – pás, alavancas de ferro e cavadeiras do tipo boca-de-lobo.
Eles cavavam, dois a dois, um buraco próximo ao chalé, com movimentos sincronizados e quase robóticos. Eu hesitava entre me aproximar para tentar um contato imediato do 3º grau ou simplesmente correr. Antes que decidisse, um enxame de abelhas atacou os supostos extraterrestres. Mesmo sob as picadas, eles se contorciam, mas não interrompiam o trabalho.
O contêiner, enfim, foi aberto. Dentro havia diversos objetos cuja utilidade desconhecíamos. Nada de painéis com luzes piscando ou aparatos futuristas. Fiquei frustrado, pois esperava que poderia ser a astronave deles, mas parecia um rancho de pesca pela quantidade de tralha amontoada nos cantos.
Nesse momento, chegou uma viatura da Polícia Militar de Santa Catarina – reconheci pela pintura – com a sirene ligada.
E então acordei. Ou talvez não: percebi que já estava escrevendo esta crônica dentro do próprio sonho. Como o professor de Vilhena, transportado sem explicação, eu também fui levado de uma madrugada qualquer para estas linhas. Talvez seja esse o verdadeiro enigma: não saber onde termina a realidade e começa a ficção, nem onde termina o sonho e começa a escrita.
Ou é o contrário?
[Crônica XI/2026]
