Li uma matéria do G1-RS, mas imaginei um final diferente

Imagine o governador Leonel Brizola se ‘materializar ‘em um auditório repleto e no escuro! (Montagem com imagem gerada por IA Copilot e Charge de Iotti/Jornal Zero Hora; BN PPT JCarlos; Edição IloveIMG)
Aquela era mais uma sessão solene para entrega de diplomas de Moções de Aplauso, propostas pelos vereadores e aprovadas em plenário.
Por questão de economia, a Câmara Municipal realizava esse tipo de evento a cada quatro meses, já que os edis eram pródigos na distribuição de homenagens — a vivos e mortos. Valia tudo: dar nomes a logradouros, conceder títulos de cidadão honorário ou benemérito da cidade, moções de aplauso e medalhas de honra ao mérito para praticamente todas as profissões reconhecidas na Classificação Brasileira de Ocupações do Ministério do Trabalho.
O vereador que presidia a sessão lia mecanicamente o roteiro preparado pela assessoria. Anunciava o nome do laureado, pedia a um colega que o recebesse e o conduzisse à mesa, onde o diploma seria entregue pelo vereador proponente.
A certa altura da cerimônia, chegou o momento de homenagear uma escola técnica agrícola que levava o nome de um ex-governador, falecido há mais de vinte anos. O presidente, em vez de chamar o representante da instituição, invocou o próprio patrono: Leonel de Moura Brizola.
— Peço ao vereador Jonas que receba o senhor Leonel — disse o presidente.
Seguiu-se um silêncio embaraçoso, interpretado como dificuldade de deslocamento do convocado. O presidente insistiu:
— O senhor Leonel de Moura Brizola encontra-se na Casa? Convido-o a dirigir-se à Mesa Diretora para receber o Diploma da Moção de Aplauso indicada pelo vereador Marco.
Nesse instante, as luzes do salão nobre se apagaram e os microfones foram desligados. A escuridão só era quebrada pelas luzes azuis dos celulares, usados pelos convidados para filmar e fotografar os homenageados.
Enquanto assessores corriam de um lado para outro tentando restaurar a energia elétrica, ouviu-se pelo sistema de som — que todos acreditavam estar desligado — a voz inconfundível do ex-governador Leonel Brizola, com uma de suas frases típicas:
— Está pelada a coruja?
O corre-corre foi tão grande que não sobrou ninguém no auditório nem para fechar as portas.
Resultado: criou-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito Municipal para apurar as responsabilidades daquele episódio, considerado a maior (e melhor) brincadeira de mau gosto em toda a história da Câmara Municipal, fundada há 284 anos.
[Crônica III/2026 – Inspirada em fato ocorrido na Câmara Municipal de Viamão (RS), em 18 de dezembro, mas que só soube hoje…]
