
O anjinho da guarda não deixou que eu caisse no golpe do FBI (Ilustração criada por IA Copilot/Microsoft, com participação especial do Brasinha, personagem de Howard Post e Warren Kremer/ Montagem BN PPT JCarlos)
Sempre me achei esperto contra golpes. Já conhecia todos: o do vigário, o do bilhete premiado e até os mais “sofisticados” que prometem juros de outro planeta. E isso – acreditava – me deixava, em tese, “imune” a tentativas de arrancarem a mixaria que recebo como aposentado.
Mas um e-mail que encontrei injustamente enviado para a pasta de spam conseguiu balançar minhas defesas anti-golpe.
O FBI — isso mesmo, o Federal Bureau of Investigation (Departamento Federal de Investigação) — enviou-me uma advertência: eu teria 24 horas para resgatar um valor destinado a mim pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, após um processo ter transitado em julgado. Segundo eles, o dinheiro me pertencia por direito e eu deveria resgatá-lo para que o assunto fosse definitivamente arquivado, o que não teria ocorrido até agora por minha “omissão”.
Apaguei o spam com um peso imenso no coração, pois o valor que o U.S. Department of Justice (DOJ) dizia ser meu era a “merreca” de US$378.455,00 — o que, convertido em português claro, equivalia a R$2.145.839,85, na cotação do dia 26 de dezembro. Quando vi o número, meus olhos arregalaram mais do que o normal.
O golpe, ao qual eu quase sucumbi, estava no fecho da mensagem: o FBI solicitava o depósito de US$ 300 na conta jurídica daquele Departamento, para que meu “prêmio” fosse imediatamente transferido para a conta corrente que eu indicasse. E, claro, forneciam o número da conta bancária “oficial” e o link para eu enviar meus dados.
Foi nesse momento que percebi: se o capeta existe, ele manda e-mail. Felizmente, meu anjinho da guarda cochichou no ouvido bom:
— Sai fora, Zé, isso é golpe!
[Crônica II/2026]
