17 de dezembro de 2025

A vingança é um copo de refresco mal lavado

Por José Carlos Sá

Algumas vinganças levam as vítimas a situações constrangedoras (Imagem gerada por IA Copilot/Microsoft)

Fico impressionado com a criatividade humana para fazer o mal.

Todos os dias recebo informações da assessoria de imprensa do Ministério Público catarinense, relatando as ações das promotorias e descrevendo os crimes mais estranhos que acontecem por aqui, além das penas aplicadas aos culpados.

Já comentei, em outras ocasiões, sobre a variedade de objetos usados para matar — de máquina de moer carne a serrinha de cortar pão.

Hoje, porém, fui fisgado por um release com um título quilométrico e curioso: “Tia e sobrinho são denunciados pelo MPSC por envenenarem funcionários do pronto-socorro de Santa Cecília para se vingar”.

A história é a seguinte: a mulher teria se revoltado por não ter sido autorizada, pela unidade, a realizar um tratamento considerado ilegal. O sobrinho, por sua vez, havia sido afastado do serviço no mesmo local, acusado de importunação sexual contra colegas de trabalho. Juntos, decidiram se unir e se vingar de todos.

Em uma das notícias que li sobre o caso, aparece a versão da filha da suspeita: ela acredita que a mãe foi vítima de uma armação e afirma que quem colocou a droga sabia que não causaria morte, apenas um susto.

O resultado, no entanto, foi que 12 funcionários do pronto-socorro passaram mal, gerando caos no atendimento de urgência e emergência da cidade, depois de beberem um refrigerante “batizado” com rivotril durante a merenda da tarde.

Refresco com laxante

Do meu “Baú do Zé”, lembro de um causo ocorrido em uma repartição pública do Governo de Rondônia. Um garçom do gabinete lavou uma jarra de vidro com laxante e deixou o produto secar, recolocando o recipiente no lugar habitual.

Pessoas “não autorizadas” usaram a jarra para preparar um refresco e logo passaram mal, vítimas de uma dor de barriga intermitente. Não houve necessidade de atendimento médico, apenas o desconforto constante de correr para o banheiro.

O “envenenamento” também foi motivado por vingança. As funcionárias utilizavam copos e jarras destinados ao titular da secretaria e visitantes, mas não se preocupavam em lavar as vasilhas após o uso. Mesmo depois da lição dada pela diarréia, o uso indevido das louças continuou.

[Crônica CCLXXX/2025]

Tags

Ministério Público Rondônia Sabá Santa Catarina Santa Cecília 

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