
Um “gênio” da Alibaba quer que eu pague o que não comprei (Imagem gerada por IA Copilot/Montagem com ilustra do Estúdios Disney/BN PPT JCarlos)
Histórias de um comprador que nunca comprou
Há algumas semanas venho recebendo mensagens seguidas da loja chinesa Alibaba — onde nunca comprei nada, nem sequer consultei o catálogo. Na primeira mensagem, informaram que minha mercadoria estava sendo separada. No mesmo dia, pediram a confirmação do pagamento para que pudessem enviar “minhas compras”.
Como fiz com os primeiros avisos, ignorei. Encaminhei para o spam e, em seguida, limpei a caixa de mensagens indesejadas. Costumo ler os assuntos dos e-mails que caem no spam, porque às vezes encontro ali alguma mensagem legítima que estava aguardando.
As mensagens seguintes, em média duas por dia, detalhavam o passo a passo das “minhas compras”. Entre uma etapa e outra, vinha o lembrete de que eu precisava regularizar o pagamento, pois faltava uma parcela a ser quitada.
Na sexta-feira passada, a Alibaba — ou quem se passava por ela — informava que minha encomenda estava na alfândega, sendo vistoriada pela autoridade fazendária. Logo depois, recebi outra mensagem, desta vez com uma tarja vermelha e a palavra “URGENTE” em destaque, acompanhada de um ponto de exclamação. A orientação era clara: eu deveria pagar as tarifas aduaneiras para liberar o produto.
Como sempre, ignorei e não paguei nada.
Ontem, o recado foi que o produto que comprei e que estaria aguardando “ansiosamente” já havia sido desembaraçado no posto fiscal do Aeroporto Internacional de Guarulhos, restando “apenas” o pagamento das taxas previstas pelo governo brasileiro para a entrada de mercadorias.
Por curiosidade (ou pura falta do que fazer), fui pesquisar que taxas são essas. O Google informa que, além do Imposto de Importação, incidem também ICMS, IPI, PIS/PASEP e COFINS sobre mercadorias estrangeiras.
Ora, se eu já não tinha comprado nada e querem me empurrar um golpe, agora que sei o tanto que se paga para importar bugigangas da China, aí é que não pago mesmo!
O golpista que vá enganar outro incauto. Eu, não.
[Crônica CCLXXII/2025]
