10 de dezembro de 2025

Ali Babá e os 40 e-mails

Por José Carlos Sá

Um “gênio” da Alibaba quer que eu pague o que não comprei (Imagem gerada por IA Copilot/Montagem com ilustra do Estúdios Disney/BN PPT JCarlos)

Histórias de um comprador que nunca comprou

Há algumas semanas venho recebendo mensagens seguidas da loja chinesa Alibaba — onde nunca comprei nada, nem sequer consultei o catálogo. Na primeira mensagem, informaram que minha mercadoria estava sendo separada. No mesmo dia, pediram a confirmação do pagamento para que pudessem enviar “minhas compras”.

Como fiz com os primeiros avisos, ignorei. Encaminhei para o spam e, em seguida, limpei a caixa de mensagens indesejadas. Costumo ler os assuntos dos e-mails que caem no spam, porque às vezes encontro ali alguma mensagem legítima que estava aguardando.

As mensagens seguintes, em média duas por dia, detalhavam o passo a passo das “minhas compras”. Entre uma etapa e outra, vinha o lembrete de que eu precisava regularizar o pagamento, pois faltava uma parcela a ser quitada.

Na sexta-feira passada, a Alibaba — ou quem se passava por ela — informava que minha encomenda estava na alfândega, sendo vistoriada pela autoridade fazendária. Logo depois, recebi outra mensagem, desta vez com uma tarja vermelha e a palavra “URGENTE” em destaque, acompanhada de um ponto de exclamação. A orientação era clara: eu deveria pagar as tarifas aduaneiras para liberar o produto.

Como sempre, ignorei e não paguei nada.

Ontem, o recado foi que o produto que comprei e que estaria aguardando “ansiosamente” já havia sido desembaraçado no posto fiscal do Aeroporto Internacional de Guarulhos, restando “apenas” o pagamento das taxas previstas pelo governo brasileiro para a entrada de mercadorias.

Por curiosidade (ou pura falta do que fazer), fui pesquisar que taxas são essas. O Google informa que, além do Imposto de Importação, incidem também ICMS, IPI, PIS/PASEP e COFINS sobre mercadorias estrangeiras.

Ora, se eu já não tinha comprado nada e querem me empurrar um golpe, agora que sei o tanto que se paga para importar bugigangas da China, aí é que não pago mesmo!

O golpista que vá enganar outro incauto. Eu, não.

[Crônica CCLXXII/2025]

Tags

Aeroporto de Guarulhos Alfândega Alibaba Golpe 

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