
O cadáver foi encontrado em uma posição insólita e passamos o dia buscando explicações (Fotos Marcela Ximenes)
Hoje cedo, ao sair para ir à padaria, me deparei com um cadáver pendurado no esteio da cobertura da garagem. Com o susto, dei um passo atrás para entender melhor a cena.
O dia já estava claro, mas mesmo assim acendi as lâmpadas e aproximei-me com cautela, tentando verificar se não era uma miragem — meus olhos andam a me confundir, vendo coisas que não são aquilo que aparentam ser.
Mas não era ilusão. Era muito real.
Havia um corpo dependurado pelas extremidades do lado esquerdo, com os demais membros soltos no espaço entre as telhas da garagem e o piso. Estava numa posição incomum, sem nenhum ferimento visível.
Antes de tomar providências para a remoção, chamei a Marcela como testemunha. Tiramos várias fotos do defunto para compor o competente inquérito e solicitar um parecer técnico reservado de familiares biólogos, na tentativa de entender a ocorrência.
Guilherme, meu filho, sugeriu que a morte pudesse ter sido provocada por uma toxina de algum inseto peçonhento — uma aranha, por exemplo. O cunhado Fábio concordou com a teoria, mas levantou outra hipótese, a de uma causa natural, como um AVC.
Sem um parecer técnico, e na expectativa de que venha alguma equipe de peritos, o cadáver continua lá, pendurado na viga, numa posição antinatural e completamente ignorado pelas formigas e demais agentes de decomposição do corpo da lagartixa (Hemidactylus mabouia)
[Crônica CCLVIII/2025]
