19 de novembro de 2025

Alguns métodos inúteis e um infalível para dormir

Por José Carlos Sá

Eu usava métodos tradicionais para espantar a insônia, sem sucesso (Imagem gerada por IA Dreamina/Edição BN PPT JCarlos)

Por um tempo sofri com insônia — que rendeu duas ou três crônicas — provocada por depressão e pelo álcool. Testava todos os métodos conhecidos e inventava outros para conciliar o sono, mas mesmo assim varava a madrugada acordado, cochilando apenas quando o dia amanhecia, tarde demais.

Na semana passada, conversando com meu cunhado Dimas, marido da minha irmã Lúcia, descobri que há meios de atrair o sono usando um método cientificamente chamado de Paradoxo da Intenção, ou psicologia reversa: enganar o sono, fingindo que o objetivo é ficar acordado.

Explicarei mais adiante.

Nas minhas noites insones tentei quase todos os métodos consagrados pela sabedoria popular e pela ciência, mas todos se mostraram ineficazes.

Experimentei contar carneirinhos; técnicas de respiração; chás de camomila, valeriana, maracujá ou erva-cidreira; leite morno com mel ou acompanhado de uma bolacha doce; banho quente; ouvir música suave e ler um livro. Tudo em vão.

Evitei café e chá-mate; escureci o quarto; usei produtos aromáticos — óleo essencial em sabonete, sachê na máscara para os olhos, no travesseiro e até no colchão. Nada.

Sugerem não fumar, mas eu não fumo. Tenho horário regular para dormir — ou melhor, para me deitar — e acordar. Evito cochilos depois do almoço e tento não levar problemas para a cama. O celular fica desligado ou silencioso. Mesmo assim, a insônia vinha indubitavelmente.

Em Reinações de Narizinho, Monteiro Lobato cita a “Fada do Sono”, que jogava areinha nos olhos das crianças e elas dormiam. Comigo nunca funcionou, talvez porque não acredito nem em fadas nem em bruxas.

Sugeriram que eu recorresse a um tarja-preta — diazepam ou clonazepam — mas sempre resisti, para não criar mais uma dependência química.

Não experimentei, mas já vi provas do tal Paradoxo da Intenção. Um ex-chefe, com muito sono durante uma viagem de carro, parou numa lanchonete, comprou uma garrafa de água gelada, derramou na cabeça, se enxugou, me entregou a direção e dormiu até o destino.

Já o Dimas descobriu uma forma infalível para atrair o sono: lavar o rosto vigorosamente com água e sabão, se enxugar, pentear os cabelos e voltar para a cama. Segundo ele, o sono vem certo — com direito até a bons sonhos.

Na pesquisa para esta crônica, perguntei à Marcela qual método ela usa para dormir com facilidade. Antes que eu terminasse a pergunta, minha esposa já estava dormindo.

Por isso ainda não sei qual é o segredo dela para dormir rápido e profundamente.

[Crônica CCLIII/2025]