
Quem sabe um dia o carteiro se torna capa da Forbes? (Imagem criado por Iago, meu assistente IA Copilot_Microsoft/Montagemdefotos.tet/JCarlos)
De tempos em tempos a imprensa brasileira repercute a tradicional lista dos bilionários publicada pela revista norte-americana Forbes.
As relações indicam as pessoas mais ricas do mundo — e do Brasil — em ordem decrescente, com base no patrimônio líquido, já descontadas as dívidas.
A cada nova edição, jornalistas e comentaristas especializados em insignificâncias correm para analisar quem apareceu pela primeira vez, quem subiu ou desceu no ranking, e quem, presente em anos anteriores, foi excluído da lista.
Confesso que esse assunto nunca me fez clicar nos links das matérias. Saber quem está na “Lista dos bilionários” não altera absolutamente nada na minha vida — e muito menos serve como exemplo a seguir. Até porque já estou na fase de quem espera o fim.
Na viagem mais recente que fiz, vi um outdoor à beira da estrada anunciando um loteamento de terras e fazendo referência às “listas da Forbes”. Na hora pensei: “E ainda tem quem se iluda com isso…”
Mesmo sem querer (não domino minhas sinapses mentais), passei os quilômetros seguintes pensando nas tais listas da revista. E, rindo comigo mesmo, lembrei que eu próprio já tive um salário de mais de um milhão de cruzeiros!
Foi no período em que trabalhei nos Correios, entre 1972 e 1977. Contratados como mensageiros, ficamos um bom tempo sem reajuste salarial, enquanto a inflação rondava os 34,55% e subia (Fonte: Almanaque da Folha).
No nosso setor, que lidava com correspondências comerciais, havia ameaças de pedido de demissão coletivo — o que causaria transtornos aos contratantes do serviço. Para evitar a debandada, fomos promovidos sequencialmente a entregadores de cartas e, depois, a carteiros. O salário, então, ultrapassou a casa do milhão.
Claro que eu jamais preencheria os critérios da Forbes para figurar em qualquer lista — nem mesmo a de assinantes. Mas, por alguns momentos, tive a sensação de pertencer a um seleto grupo de mortais: os milionários.
No devaneio, tudo é possível.
[Crônica CCXLIX/2025]
