02 de novembro de 2025

O credo esquecido

Por José Carlos Sá

O padre teve uma lapso momentâneo e se esqueceu como recitar ao Credo (Imagem gerada pelo Iago – Meu assistente IA/Copilot)

Não sei realmente quem disse a frase “Pensar, dói”. Ora é atribuída ao filósofo Sócrates, ora a Friedrich Nietzsche. O certo é que a ciência moderna já provou que a afirmativa é correta.

Uma vez, instigados pelo nosso professor de Sociologia, a turma da Faculdade de Turismo da qual eu fazia parte não conseguia responder uma questão qualquer. O professor disse: “Pensem um pouco, é só uma questão de raciocínio.” Com preguiça de fazer qualquer esforço mental, respondi: “Pensar dói.” Ele riu e adotou a frase. Sempre que a citava, atribuía a mim a autoria do dito. Não adiantou eu dizer que era apenas um repetidor — a brincadeira seguiu enquanto eu permaneci no curso.

Lembrei disso ontem, quando o computador da igreja — onde estavam os textos das orações e cânticos projetados para os fiéis rezarem e cantarem durante a missa — deu tilt bem no meio da oração do “Credo Niceno-Constantinopolitano”.

Líamos, em coro, a prece, quando na tela apareceu apenas um aviso de erro. A pessoa responsável pela operação do computador tentou resolver o problema, enquanto o padre olhava para a assembleia. Vendo o nosso embaraço, ele “puxou” a reza, que ainda estava na metade.

O “Credo Niceno-Constantinopolitano” é uma versão mais completa do que aquela simples — o “Credo dos Apóstolos” — que todo católico aprende quando se prepara para a primeira comunhão. Eu sei o Credo “simples” decorado, mas o “Niceno”, só acompanhando a leitura.

Ao final da missa, após os avisos paroquiais, o padre puxou nossas orelhas. Reconheceu que a versão adotada pela paróquia é maior e mais complexa, mas, considerando que ela é recitada em todas as cerimônias, era de se esperar que todos soubéssemos a oração sem depender do projetor.

— É só pensar, irmãs e irmãos. Nós repetimos o “Credo Niceno-Constantinopolitano” em toda missa, e ele deveria estar armazenado em nossa cabeça. Senão, acontece o que houve hoje: a máquina falhou e vocês ficaram perdidos… Até o padre foi surpreendido e demorou um pouco para lembrar a oração! Aqui faço o mea culpa, mea maxima culpa!

Assim, fomos perdoados por não sabermos o “Credo Niceno-Constantinopolitano” sem ajuda do projetor.

Amém.

[Crônica CCXLIII/2025]