Fomos à 2ª Bienal do Livro de São José, realizada de 23 a 26 de outubro. Minha expectativa era alta — a primeira edição, em 2023, foi uma experiência muito boa, com dezenas de expositores, mostras de fotografias e artes plásticas, além de uma afluência impressionante de público.
Desta vez, o número de editoras e livrarias presentes era bem menor. A maior parte do público era formada por estudantes da rede municipal, mas o alarido das crianças fazia parecer que eram milhares.

Da esquerda para a direita: (1) Maria Helena Meira Luz, presidente da Academia de Letras de São José – ASAJOL, (2) Rita Furtado, Secretária de Assistência Social PMSJ, (3) Jane Philippi, historiadora e escritora, (4) Maria José Carvalho de Souza, historiadora e escritora, (5) Méri Hang, secretária de governo da PMSJ, (6) Adriana Isolete de Souza, secretária da administração da PMSJ, (7) Giana Schmitt de Souza, historiadora e escritora e (8) Nini – Osni Antônio Machado, historiador, escritor e fotógrafo (Foto JCarlos)
Participei do relançamento do livro Algumas de tantas mulheres de São José, das amigas e irmãs escritoras Jane Philippi e Giana Schmitt de Souza, e da roda de conversa Histórias de São José, que reuniu Jane, Giana, o pesquisador Osni Machado, e as escritoras Maria Helena Meira da Luz, presidente da Academia de Letras de São José e Maria José Carvalho de Souza, que atuou como mediadora.
A conversa foi tão boa que extrapolou o tempo previsto. Em meio ao esforço auditivo (falei acima da algazarra infantil), aprendi mais e me diverti com fatos ocorridos — há não muito tempo — na cidade em que vim morar.

A escritora Jane Maria Phillipi anunciou o lançamento do segundo volume do livro Algumas de tantas mulheres de São José no início do próximo ano (Foto JCarlos)
Jane Philippi lembrou das mulheres resgatadas do esquecimento através do livro Algumas de tantas…, que deve ganhar novo volume no início de 2026.
Destacou, em especial, a senhora Ana Ernestina Xavier de Oliveira Câmara, que, nos dias turvos após a Revolução Federalista — quando dezenas de pessoas eram presas, fuziladas, enforcadas ou simplesmente desapareciam — foi até o interventor coronel Moreira César e perguntou o que aconteceria com seus dois filhos, federalistas, já que o concunhado Romualdo Carvalho de Barros já havia sido executado na ilha de Anhatomirim. Dona Ernestina saiu incólume do gabinete do interventor, e os filhos não foram mortos. Um deles, Adolpho Mello, empresta o nome ao teatro municipal de São José.

Giana resgatou a história de Genoveva e suas filhas, que viviam na região de Barreiros e foram citadas pelo alemão Langsdorff (Foto JCarlos)
Já Giana Schmitt de Souza, lembrou de Genoveva Inácia Joaquina e suas duas filhas, moradoras de Barreiros, citadas no diário de viagem do naturalista, pesquisador e futuro barão von Langsdorff, que esteve na Ilha de Santa Catarina e na parte continental defronte, em 1803, durante a primeira expedição russa de circunavegação.

Mesmo com dificuldades para falar, seu Nini anunciou o lançamento de edições atualizadas dos livros dele e uma nova obra para breve (Foto JCarlos)
O pesquisador Osni Machado, carinhosamente chamado de “seu Nini”, estava rouco e fez poucas intervenções. Ainda assim, anunciou o lançamento, em breve, de novas edições atualizadas dos livros Dicionário Político Josefense e São José da Terra Firme — este em parceria com o falecido Gilberto Gerlach — além de um livro novo, cujo título não revelou.
Outros eventos
Destaco essa roda de conversa por dois motivos: por conhecer as autoras e pela divulgação feita por elas mesmas. Por mais que procurasse, não encontrei a programação detalhada da Bienal — nem no site da Prefeitura de São José, nem nas redes sociais da própria prefeitura ou da Secretaria de Cultura. Lá constavam apenas as datas e os horários de abertura e encerramento do evento.
Por conta desse desconhecimento, não consegui me programar para participar de outras apresentações e lançamentos de livros, pois não dava para ficar lá o tempo todo. Fiquei sabendo dos acontecimentos apenas depois, ao ler os releases distribuídos pela assessoria.
Pelo menos, para mim, valeu ter assistido à roda de conversa sobre a história de São José. Pena que não deu para fazer mais nada.
[Crônica CCXXXVII/2025]


