24 de outubro de 2025

Como saber que a velhice chegou

Por José Carlos Sá

Você não enxerga direito mais e a sua farmacinha só tem remédios de uso contínuo (Imagem gerada por IA Copilot)

Um dia você não consegue ler o que está escrito em um folheto, estica o braço para ajustar a vista e descobre que o seu braço “encurtou”. É só o começo da jornada.

Ao verificar a farmacinha de casa, percebe que os remédios são para controle da pressão arterial, diuréticos, anti-inflamatórios para dores articulares e musculares, medicamentos para angina e problemas cardíacos, além daqueles para insônia, ansiedade, refluxo e gastrite.

Credenciais de privilégio conseguidas por antiguidade e merecimento (Foto JCarlos)

Vai à prefeitura buscar a credencial de estacionamento para idosos. No supermercado, nas lojas e nos bancos, já procura automaticamente o guichê com a placa “preferencial”. Tem o cartão de gratuidade para o transporte coletivo. Mas não espere que alguém ceda o lugar para você, mesmo que esteja usando muletas. Ainda não chegamos a esse grau de civilização.

O momento em que você tem certeza de que entrou na terceira idade é quando o médico que passa a cuidar de você é o geriatra. Aí é caminho sem volta. Ele descobre em você doenças que nunca o afligiram antes — claro, você não era idoso — e que nem sabia que existiam.

É mais rápido pegar a fila comum, pois a preferencial está sempre congestionada – Lotérica do Mercado Público de Florianópolis (Foto JCarlos)

Os assuntos que passam a frequentar suas conversas (quando você lembra o nome) são: osteoporose, artrite e artrose, Alzheimer, Parkinson, degeneração da visão, perda auditiva, enfisema, bronquite crônica, incontinência urinária, perda de força, fadiga, lentidão, vulnerabilidade a quedas, além de depressão e ansiedade — às vezes as duas ao mesmo tempo.

E sobre sexo? A respeito deste tema tão importante e sensível, nada a preocupar. Há quem defenda que a sexualidade não tem data de validade.

O certo, acredito, é fazer como o cantor Roberto Carlos. Em entrevista ao jornal O Dia, foi perguntado, no seu aniversário, como se sentia com a nova idade. A resposta eu nunca esqueci: — Chegar aos 80 anos não me assusta porque isso vem acontecendo gradativamente. É devagar, devagarinho… 

Ah! Já tinha me esquecido. Voltei de uma consulta do geriatra agorinha mesmo.

[Crônica CCXXXIV/2025]

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Alzheimer Geriatra Idoso O Dia Parkinson Roberto Carlos Terceira idade 

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