Quando levei a mão à maçaneta, a porta do sanitário da clínica se abriu. Uma mulher da minha idade saiu de lá, olhou para mim, depois para a placa que indicava “Masculino”, esboçou um sorriso amarelo e se desculpou:
— Eu não vi que era banheiro de homem.
Respondi que não tinha importância, lembrando de um episódio envolvendo o falecido ator José Lewgoy, narrado por ele numa entrevista há muitos anos.
Lewgoy, que na época devia ter uns 70 anos, saía de um banheiro no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, quando uma mulher que vinha em sentido contrário apontou a placa e, com tom agressivo, disparou:
— O senhor não tem vergonha? Não tem respeito? Não vê que essa placa indica “banheiro feminino”?
O ator, antes de responder, olhou para o símbolo, que para ele não significava absolutamente nada.
— A senhora me desculpe, não foi minha intenção causar constrangimento. Mas, sinceramente, eu não entendo esses símbolos que inventaram para distinguir masculino de feminino. Além disso, minha senhora, na minha idade… tanto faz!
O povo inventa
Sabedor dessa história, procuro prestar atenção às indicações dos sanitários — há placas que mais confundem do que esclarecem. Em caso de dúvida, pergunto a algum funcionário. Na ausência deles, observo quem entra ou sai da casinha.
Nas viagens que fazemos, costumo fotografar essas placas de “homem” e “mulher”, que mostro a seguir, aproveitando imagens de arquivo.
[Crônica CCXX/2025]













