09 de outubro de 2025

Ressonância de betoneira

Por José Carlos Sá

O barulho produzido pela máquina de ressonância magnetica lembrou os ruídos de uma betoneira de obra (Imagem gerada por IA Copilot/Microsoft)

Hoje fui fazer uma tomografia e achei que seria aquele exame de entrar num túnel barulhento — também conhecido como máquina de ressonância magnética. Mas foi tranquilo: apenas um meio arco que corria para cima e para baixo, enquanto uma voz me dizia para encher o peito de ar e segurar a respiração.

Eu não admito, mas sofro (também) de claustrofobia. Nas várias vezes em que tive que entrar numa máquina de ressonância, me concentrava em coisas boas — uma praia, uma caminhada na floresta ou uma passagem da vida que deixou marcas positivas — para não me apavorar, especialmente quando o aparelho começa a produzir aqueles sons estranhos ao captar imagens do nosso organismo interior.

Essa estratégia tem funcionado bem. Só tive problemas uma vez, quando o exame já estava quase terminando e eu me mexi. Tiveram que começar tudo de novo. Aí não teve imagem mental positiva que desse jeito.

Pensar em gaivotas sobrevoando ondas ou passarinhos cantando numa árvore? Nada funcionou. Mas consegui terminar a sessão de tortura sem perder a classe.

Quem perdeu a classe foi um amigo meu, na primeira vez que foi colocado numa máquina de ressonância magnética. Ele estava internado com dores na região do abdômen, e o médico tinha uns três ou quatro palpites do que poderia ser. Para dirimir as dúvidas, pediu o bendito exame.

Meu amigo conta que estava meio grogue pelos remédios para dor que tinham aplicado nele, quando o levaram de cadeira de rodas até a sala. A técnica o ajudou a se deitar na maca, colocou o fone abafador de ruídos e entregou uma campainha, para ser acionada caso ele se sentisse mal.

Ele fechou os olhos e tentou relaxar. Mas quando ligaram o equipamento, a maca entrou na máquina e os barulhos começaram, ele começou a suar frio e bateu o desespero. Abriu os olhos, tentou levantar os braços para pedir pra sair, mas não conseguiu. A campainha caiu da mão e a movimentação foi detectada na sala de controle.

A técnica veio correndo, o retirou da máquina e tentou acalmá-lo, dizendo que o exame era necessário para ajudar o médico a entender o que provocava as dores. Meu amigo não queria voltar para o interior da máquina. Chamaram o filho dele, que o acompanhava, mas não adiantou nada. No fim, deram um calmante e ele foi colocado semi-desacordado para fazer o exame.

Quando ele nos contou o caso, um dos ouvintes — que nunca tinha tido a experiência de entrar numa máquina de ressonância magnética e ficou impressionado com a história — perguntou:

— Você tem certeza de que não o colocaram numa betoneira de misturar concreto?

[Crônica CCXIX/2025]

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Betoneira Ressonância magnética 

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