Pouco tempo depois de termos nos mudado para São José, fomos visitar o Horto Florestal Municipal e ganhamos mudas de árvores ornamentais e frutíferas. Se a memória não me trai, eram: um salgueiro-chorão (Salix babylonica), um araçá-da-serra (Calycorectes acutatus), uma goiabeira (Psidium guajava L.), uma pitangueira (Eugenia uniflora L.) e um pé de ingá — que só agora fico sabendo ser da espécie ingá-miúdo (Inga vulpina), e explico o porquê do conhecimento tardio mais adiante.
As mudas do salgueiro, do araçá, da pitanga e do ingá foram plantadas no nosso quintal. Já a goiabeira, plantei na calçada da área verde do outro lado da rua, com a intenção de oferecer frutos aos passarinhos. Mas de boas intenções o inferno está cheio, dizem as más línguas.
Os pedreiros que trabalhavam na construção das casas aqui ao lado usaram a calçada da área verde como depósito de materiais, matando a goiabeira — que ainda era uma plantinha tenra. Uma certa cachorrinha chamada… eu só vou dizer as iniciais do nome dela: Azula Dora Milaje — comeu as mudas do salgueiro e do araçá.
A pitangueira demorou três anos para produzir e no ano passado a safra foi boa, proporcionando uma colheita que permitiu que distribuíssemos frutas e ainda sobrou para fazer suco. Neste ano, o colhimento já foi iniciado pela Marcela e pelos passarinhos.
Já o pé de ingá sobreviveu milagrosamente à sanha destrutiva da Zuzu, e, mais incrível ainda, ao xixi altamente tóxico do Argus. Também escapou incólume às podas feitas pela Marcela e pelo Celso, nosso vizinho. Mas nunca produziu frutos nesses seis anos desde o plantio.
Neste fim de semana a Marcela me chamou para mostrar a novidade: havia aparecido a primeira flor na ingazeira. É o milagre da Primavera! Logo descobrimos mais quatro flores, reacendendo nossa esperança de comer, ao menos, uma baga de ingá.
Aproveitei a florescência para consultar o Dr. Google — que também é botânico — sobre a espécie do nosso valoroso e “imorrível” ingá, que, depois de seis anos do plantio, apresenta suas primeiras flores. A resposta: trata-se do ingá-miúdo, uma espécie diferente daquela que conhecíamos na Amazônia, o ingá-de-metro (Inga edulis).
Com a floração, a expectativa aumentou. Agora, resta esperar nascer para ver a cara e o gosto que ele tem.
[Crônica CCXVIII/2025]



