
Dar troco ainda é uma operação complicada para alguns (Imagem gerada e editada por IA Designer/Copilot e BN PPT JCarlos)
O avanço das tecnologias atinge as pessoas de formas variadas. A maioria consegue acompanhar as novidades assim que são lançadas. Outro grupo demora um pouco mais. E uma minoria — felizmente pequena — resiste ao que é novo e opta por levar a vida enfrentando mais dificuldades que os demais.
Conheço pessoas cuja resistência vem da teimosia, não da dificuldade em lidar com celulares ou interagir com robôs. Também conheço — e sei de casos — de cidadãos que não conseguem se relacionar com quem está tecnologicamente atrasado.
Vejo isso acontecer quando alguém paga as compras do supermercado com dinheiro em espécie. Nesses casos, há dificuldades dos dois lados: de quem paga e de quem recebe. Já vi o comprador não saber separar a quantia suficiente para pagar as mercadorias e, igualmente, os funcionários se atrapalharem em dar o troco — mesmo com o sistema mostrando a quantia exata a ser devolvida.
Um exemplo desse último caso me foi contado por um amigo. Ele fez uma compra em um mercadinho aqui do bairro que ficou em R$51,50. Entregou R$52,00 e ficou esperando o troco. Vamos ouvi-lo:
— Entreguei as notas de cinquenta e de dois reais e fiquei esperando o troco. O rapazinho digitou os valores e apareceu na tela que deveria me dar cinquenta centavos. Ele abriu a gaveta do caixa, olhou para ela e olhou para o monitor. Olhou para a gaveta de novo e, novamente, para o monitor. Já aborrecido, perguntei se ele não ia me dar o troco.
— Estou sem troco. Não tenho nenhuma moeda de cinquenta centavos — disse.
— E essas duas moedas de vinte e cinco centavos aí na sua gaveta? É a mesma coisa.
E, didaticamente, informei a ele: vinte e cinco mais vinte e cinco é igual a cinquenta.
O cara me deu as moedas, mas não ficou convencido…
[Crônica CCXV/2025]
