01 de outubro de 2025

No corote, pode!

Por José Carlos Sá

Corote com metanol continua liberado? (Imagem gerada e editada com IA e BN – Copilot/Fotor/Photoroom/PPT JCarlos)

Todos os meios de comunicação — até o tio do zap — estão comentando os casos de intoxicação por metanol, presente em bebidas alcoólicas batizadas. Até o momento em que escrevo este texto, já foram notificados 22 casos, com pelo menos cinco mortes. Os registros vêm de São Paulo, Pernambuco e Paraná.

Li as chamadas das matérias, mas não abri nenhuma para entender a fundo o que está acontecendo. Não por desprezo às vidas perdidas, mas porque o assunto não me afeta diretamente — já não tenho o hábito de beber.

O que me chamou atenção foi uma fala do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, no programa A Voz do Brasil — aquele boletim oficial do governo que ninguém ouve, mas que continua firme desde 1935. Eu ouvia em surdina enquanto jogava paciência ontem à noite.

Recuperei a fala depois, para confirmar se era aquilo mesmo que ouvi — e, infelizmente, era:

“Normalmente a ingestão de metanol ocorria com pessoas em situação de rua. Houve uma mudança de padrão, a partir do início e meados de setembro, quando nós verificamos que essas intoxicações passaram a ocorrer em bares e restaurantes.”

Então é isso. 

Enquanto bêbado de rua bebia metanol e morria como indigente, o poder público ignorou o problema — mesmo tendo conhecimento, como admitiu o ministro. Mas quando o caso chegou a um frequentador de bar nos Jardins — aquele “bairro de alto padrão”, como gostam de dizer os coleguinhas da imprensa — aí sim virou assunto.

Foram apreendidas garrafas “lacradas” de vodca, gim e uísque. Até agora, nenhum corote — a preferência nacional dos moradores de rua — está sob suspeita. 

Além do Ministério da Justiça, já estão trabalhando no assunto a Polícia Federal, o Ministério da Saúde, a Secretaria Nacional do Consumidor, com os seus Procons e as Vigilâncias Sanitárias.

[Crônica CCXIII/2025]