
“Problemas? Resolvemos em 30 minutos. O susto é cortesia.” (Imagem gerada por IA Designer/Fotor Montagem BN PPT JCarlos)
Aqui no Ocidente, temos dificuldades em entender certos aspectos da cultura japonesa — que, às vezes, escapam à nossa compreensão.
Como alcançar a importância que eles atribuem à criação de empresas que oferecem serviços, digamos, peculiares? Aluguel de avós, de netos e até de irmãos fictícios.
Neste espaço, já comentei o caso de Shoji Morimoto, que se alugava. Entre outros serviços, foi acompanhante de jantar para pessoas que moravam sós, deu adeus a uma família que partia de viagem e esperou por alguém que correu uma maratona — só para que houvesse um rosto conhecido o aplaudindo.
Mas nada se compara ao serviço criado e extinto no curto período de um mês. A empresa chamava-se Rental Kowaihito e oferecia “homens assustadores”, com corpos marcados por “tatuagens sinistras” e atitudes que podiam ser resumidas na frase: “vai haver sangue”.
Esses sujeitos ‘simpáticos’ podiam acompanhar clientes em negociações com antigos empregadores para cobrar salários atrasados, ajudar mulheres a amedrontar as amantes do marido ou lidar com bullying infantil e no trabalho. O site da empresa garantia que a maioria dos problemas seria resolvida em, no máximo, 30 minutos. Também pudera.
Durante sua breve existência, a empresa gerou intenso debate nas redes sociais sobre os limites éticos desse serviço de intimidação — parecido com os métodos das máfias mundo afora, especialmente da Yakuza, que é Made in Japan. Talvez por isso a firma tenha se dissolvido no dia 31 de agosto. E não respondeu à pergunta feita em seu perfil: “O que aconteceria se ambas as partes contratassem uma pessoa assustadora?”
Tentei imaginar um menino gordinho, vítima preferencial dos colegas mais velhos, chegando à escola acompanhado de um sujeito parecido com a criatura criada pelo doutor Victor Frankenstein. Não consegui.
[Crônica CCI/2025]
