Ouvindo e lendo o noticiário do dia, percebo aqui e ali a menção a um grupo de pessoas genericamente chamadas de “influencers”. São referências tão variadas que me levam a crer tratar-se de uma massa de interesses heterogêneos — o que dificulta, e muito, que eu imagine o que seja, afinal, um “influencer”.
Para tentar compreender essa classe (ou casta?), fiz uma brevíssima pesquisa na internet. Limitei a observação às duas primeiras páginas do Google, digitando apenas a palavra “Influencer” e buscando na aba “notícias”.
O resultado foi curioso: onze notícias policiais envolvendo influencers presos, encontrados mortos ou suspeitos de participação em algo ilegal. Outras seis “notícias” tratavam de temas variados: uma influencer foi confundida com a filha do Michael Jackson em Paris; outro foi visto gravando um vídeo; uma terceira fazia uma enquete e entrevistou uma atriz famosa sem saber quem era; outra fez seguro das partes pudendas — lá dela — pois, segundo consta, o corpo é tudo o que tem. Duas notas destoam: uma sobre um método de prever chuvas e outra sobre um protesto contra a intenção do YouTube de excluir canais infantis.
Ao final das contas, cheguei a duas conclusões: nada do que li eu classificaria como “notícia” — e o que esse pessoal quer mesmo é “se aparecer”.
Ciclicamente, testemunhamos muitas pessoas, qual manada de bovinos, seguirem um modismo e se identificarem com determinada forma de pensar, se apresentar ou proceder. Essas tendências se retroalimentam pela exposição na mídia e nas redes sociais, garantindo a alguns a tão sonhada fama de 15 minutos, como preconizou Andy Warhol.
Todos já foram algum dia: Consultor — Era o título mágico dos anos 1990 e início dos 2000; Modelo — Teve seu auge com a explosão das passarelas e dos comerciais de TV. Quem nunca conheceu alguém que “já fez uns trabalhos como modelo”?; Jornalista — Muita gente ganhou dizendo ser um. Hoje, os jornalistas de verdade disputam espaço com os criadores de conteúdo.
Também teve charme ser Coach — Tinha coach de vida, coach de carreira, coach de coach… e até coach de respiração; depois vieram os Personals — O personal trainer virou símbolo de status e saúde. Depois vieram os “personais” de tudo: stylist, chef, organizer…
Em um tempo mais remoto, havia o Video maker — Com uma câmera na mão, com ou sem ideia na cabeça, virou profissão de quem se dizia cineasta.
O Influencer é a praga da vez. Com um celular e carisma, persegue-se a transmutação de likes em renda — e stories em carreira. Vale tudo.
No fim das contas, a fama que muitos desses personagens perseguem é efêmera. A maioria não sustenta o brilho por muito tempo — e volta ao anonimato de onde nunca deveria ter saído, não por maldade, mas por simples irrelevância.
São nomes que piscam nas manchetes por um instante e depois se apagam, como um jornal de ontem. E talvez o maior talento de alguns seja justamente esse: desaparecer sem deixar saudade.
[Crônica CXCVIII/2025]

