
A camisa ganhada tinha a mesma propriedade dos vaga-lumes: brilhava no escuro (Imagem gerada por IA Copilot / Editada com Fotor/Photoroom e com BN PPT JCarlos
Li, há alguns dias, um artigo científico sobre o aproveitamento da bioluminescência na iluminação de ambientes urbanos. A bioluminescência — ensina o dicionário Houaiss — é a emissão de luz por organismos vivos, como fitoplâncton, krill ou certos peixes que produzem luz azul ou verde nos mares e oceanos, ou como os nossos conhecidos vaga-lumes.
Logo imaginei uma cidade com garrafas cheias de vaga-lumes penduradas nos postes ou nos esteios das casas. Uma espécie de decoração viva e piscante, como se a cidade bruxuleasse.
A cidade francesa de Rambouillet pretende utilizar a luz proveniente da bioluminescência das bactérias marinhas Aliivibrio fischeri, armazenadas dentro de tubos com água salgada — como um aquário luminoso azul. As pesquisas começaram em 2019 e já foram testadas com sucesso em monumentos e no posto de turismo.
Voltando ao artigo — e ao Brasil — o pesquisador Cassius Vinicius Stevani, professor do Instituto de Química da USP, acredita que essa alternativa é viável e sustentável: consome menos água em sua produção e libera menos gás carbônico na natureza, entre outras vantagens.
A principal limitação do projeto está na intensidade da luz gerada pelos organismos, que é baixa e depende de nutrientes. A aplicação em larga escala também varia conforme a temperatura ambiente, especialmente no inverno. Ou seja, ainda há muito a estudar.
A camisa luminescente
Como sempre acontece comigo, uma história puxa a outra.
Lá pela década de 1980, ganhei de presente de aniversário uma camisa de mangas compridas, verde fluorescente, toda estampada — não me lembro mais com que tipo de figura — mas bem chamativa mesmo. Foi antipatia à primeira vista.
Minha mãe sempre nos ensinou a receber um presente ruim com o maior sorriso nos lábios e agradecer muito, dizendo coisas como: “Você acertou o meu tamanho!” ou “É a minha cor favorita!”. Mas quanto usar o presente… essa aula eu devo ter faltado.
A camisa saiu do pacote direto para um cabide, de onde nunca mais saiu. Não sei que destino foi dado ao vestuário.
Quando me cobravam por não usar a camisa nova, eu dizia que ia parecer um vaga-lume humano. A cor chamaria tanta atenção que até os astronautas, lá do espaço, olhariam para a Terra e diriam: — Olha lá… não é o Zé Carlos com aquela camisa que ele ganhou?
A bioluminescência tem seus lados bons — e outros nem tanto, como quando você vira um farol fashion e começa a atrair olhares… até dos próprios vaga-lumes.
[Crônica CXCIII/2025]
