Gosto muito de lendas, mitologia, fantasias, fábulas e sagas — sem contar as parábolas. Dou atenção àqueles que querem contar histórias estranhas que viveram ou de que souberam.
Ouço também os sonhos alheios e tento lembrar dos meus próprios. Por tudo isso que escrevi acima, li com atenção uma matéria do G1-Maranhão com a seguinte chamada:
“Quase ninguém conhece as histórias mágicas que existem aqui”, diz autora de livro que reúne lendas do Maranhão e Piauí — publicada no dia 25 de julho, Dia do Escritor.
O texto falava de um livro lançado por uma cirurgiã-dentista que estuda Medicina e se chama Ystefani Lima. São seis contos que revisitam lendas urbanas transmitidas oralmente no Maranhão e no Piauí — e citava dois cenários que nós (Marcela e eu) já visitamos: São Luís, capital do Maranhão, e os Lençóis Maranhenses.
Mas o melhor ainda era que o livro Onde as lendas ainda vivem — Histórias mágicas do Piauí e Maranhão (sem ficha catalográfica) estava sendo oferecido gratuitamente. Bastava baixar a versão em PDF — e foi o que fiz.
A autora usou como recurso narrativo recontar as lendas por meio de personagens que ela inseriu nas histórias recolhidas entre “moradores antigos, pessoas mais velhas que ainda carregam essas histórias na memória”, além de sites e blogues. Ela juntou várias versões de cada história e acrescentou sua interpretação pessoal.
Das seis histórias narradas por Ystefani, eu já conhecia apenas a lenda da cobra que “reside” sob a cidade de São Luís. Há outras cidades com suas próprias cobras — como Belém (PA), Lapa (SP), Silvânia (GO) e Arari, também no Maranhão — apenas como exemplos.
Segundo essa lenda, há uma cobra cuja cabeça está sob a Fonte do Ribeirão e a cauda na Fonte das Pedras, no centro histórico da capital maranhense. Coloquei esses dois pontos de referência no Google Maps, que informou existir um quilômetro e meio em linha reta entre eles. Ou seja, a cobra tem um tamanho razoável.

Passeio noturno da Ana Jansen (Colagem de imagem gerada por IA Designer e Fotor sobre foto do site Mar Sem Fim / BN JCarlos)
A outra lenda conhecida pelos ludovicenses é relacionada à Ana Jansen, figura de destaque na sociedade maranhense na época do Império. Na minha pesquisa para entender a personagem, encontrei prós e contras. Uma das acusações que pesam sobre ela é a crueldade com os escravos que mantinha — e daí a crença de que sua alma vaga pelas ruas de São Luís à noite, em busca de sossego. Essa lenda inspirou o conto A noiva que nunca chegou à igreja.
Os outros contos são: As sete cidades encantadas — releitura da lenda do Parque Nacional das Sete Cidades (PI); A última fogueira da terra — reconto da lenda da Serra da Capivara (PI); Encantados dos Lençóis — lendas dos Lençóis Maranhenses, contadas de forma poética; Os Irmãos Dantas — uma epopeia dos fundadores da cidade de Piracuruca (PI), terra natal da escritora.
Recomendo. O livro pode ser baixado gratuitamente neste link: Onde as lendas ainda vivem — PDF gratuito
[Resenha XX/2025]


