Com a morte do cartunista Jaguar, ocorrida domingo, desaparece, para mim, o último dos meus ídolos do jornal O Pasquim (extinto oficialmente em 1991, mas a decadência começou bem antes). Além do Jaguar, eu gostava muito do Ziraldo, do Henfil, do Ivan Lessa e do Millôr Fernandes.
Com o Jaguar, eu tinha uma relação mais de respeito do que de fã, pois algumas piadas que ele fazia iam contra minhas convicções religiosas, como um exemplo lembrado pelo jornalista Alvaro Costa e Silva, da Folha, que escreveu um obituário do cartunista: ¨¨Cristo na cruz explicando-se para Maria Madalena: ‘Hoje não dá, Madalena, estou pregado!’”.

Desenho original de Jaguar, recebido como presente em minha única colaboração com O Pasquim. A tarja é por minha conta (Reprodução)
Mas eu gostava dele no geral. Na minha única “colaboração” para o jornal – que li por quase duas décadas e considero um dos responsáveis pela formação da minha consciência crítica à política – fui presenteado por um desenho original e autografado pelo Jaguar, que está guardado, já amarelado, em lugar seguro.
Enfim, lamento a morte do Jaguar, que representava para mim o último representante de uma época em que a resistência do jornalismo ao sistema, seja qual for, era levado às últimas consequência e sempre regado a uísque, cachaça ou, como no caso do Jaguar, a uma dose de Underberg.
[Crônica CLXXXIX/2025]


