15 de agosto de 2025

Uma exposição tímida

Por José Carlos Sá

Cartaz da mostra (Foto JCarlos)

O professor Franklin Cascaes dedicou parte de sua vida (1908–1983) ao estudo da herança cultural açoriana no litoral catarinense, com especial atenção à Ilha de Santa Catarina.

Cascaes deixou um vasto acervo composto por textos, desenhos, esculturas em cerâmica, madeira e gesso, retratando diversos aspectos da vida, dos costumes, da religiosidade e das crenças dos portugueses oriundos do arquipélago dos Açores, que chegaram ao sul do Brasil a partir de 1748.

Entre as crenças pesquisadas por Cascaes estão as bruxas e outros seres sobrenaturais que, segundo o imaginário popular, acompanharam os imigrantes na travessia transoceânica. Esses elementos permanecem vivos na cultura local e, com o tempo, se transformaram em um case de marketing que deu origem à marca “Ilha da Magia” — hoje um dos principais atrativos turísticos de Florianópolis.

A exposição Franklin Cascaes – Vida e arte em tela, que visitei no hall da Biblioteca Central da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), reúne trabalhos de artistas plásticos inspirados na obra de Cascaes. Há também um desenho original do próprio homenageado, dois bonecos e fotografias do professor na UFSC, onde seu acervo está preservado.

As obras expostas incluem pinturas em tela com óleo ou tinta acrílica, colagens com objetos e papel, técnicas mistas, desenhos com caneta hidrocor, executadas pelos artistas Ana Luisa Caminha Corrêa, Bruna de Araújo Dechen, Cristian Menezes Martins, Elyane Rangel, Felipe Malta, Fernando D’Acampora, Hélio Bastida Lopes, Maria da Conceição Mendes, Maria Luiza de Lacerda Lima, Marilde Mafra, Marilene Ramos Varela Caldeira de Andrada, Marileti Carvalho, Narcisa Amboni, Nicole Del Mattos Vieira, Roberta Moraes de Bem, Rosane Goulart Silvestre, Smith e Vanessa Amorim.

Fazem parte da exibição um estandarte e um painel em cerâmica em homenagem a Franklin Cascaes, além de esculturas em barro, moldadas pelo casal de artistas plásticos — os amigos Osmarina e Paulo Villalva. Há também peças inspiradas no game Bruxólico, desenvolvido pelo professor e multiartista Paulo Andrés, baseado nos causos de assombração recolhidos por Cascaes.

Chamei a exposição de tímida pela sua localização: instalada discretamente no hall superior da biblioteca, entre a rampa de acesso, o auditório e os banheiros. Um espaço que, embora funcional, não faz jus à força simbólica da obra de Cascaes.

Serviço

Exposição: Franklin Cascaes – Vida e arte em tela 

Onde: Hall do Auditório da Biblioteca Central da UFSC 

Quando: Até 26 de setembro de 2025 

Quanto: Gratuito

As brincadeiras de Franklin – Marilde Mafra (Foto JCarlos)

Boitatá – Narcisa Amboni (Foto JCarlos)

Bruxas da Ilha – Hélio Bastida Lopes (Foto JCarlos)

Esboço Franklin Cascaes – Elyane Rangel (Foto JCarlos)

Faíscas da fogueira – Cristian Menezes Martins (Foto JCarlos)

“Boi-Fantasma”, personagem do game “Bruxólico”, de Paulo Andrés (Foto JCarlos)

As bruxas de Osmarina e Paulo: Frankolina, Bruxa-Presidente (game Bruxólico), Vabrupa e Bruxa-Chefe (Fotos JCarlos/Montagem Pixiz)

Estandarte em homenagem a Fraklin Cascaes – Paulo Villava (Foto JCarlos)

Placa em cerâmica com o de Osmarina e Paulo Villalva (Foto Paulo Villava)