
Doutor, sinto uma dor que eu não sei explicar onde é… (Imagem gerada por IA Designer/Edição BN JCarlos)
Hoje, na aula de Pilates, o professor Thiago explicou que o próximo exercício seria para reforçar um músculo “responsável pela flexão e rotação do quadril, além de auxiliar na estabilização da coluna vertebral” — e disse o nome do dito cujo.
Ao final da aula, perguntei o nome do músculo, já que nunca tinha ouvido (ou não me lembrava de ter ouvido) referência a ele. Surdo que sou, entendi o professor dizendo “Ips Pessoa”. E ainda respondi: — Muito prazer!
Em casa, consultei o doutor Gúgol, que respondeu com toda gentileza:
“O termo ‘músculo Ips Pessoa’ não é um termo anatômico ou médico reconhecido. É possível que haja um erro de digitação ou que a pergunta se refira a outro termo. É mais provável que a pergunta se refira ao músculo iliopsoas, que é um músculo importante na região do quadril e lombar.”
Vergonha particular. Ainda bem que ninguém viu minha mancada.
O popular e o erudito
Não atualizei completamente meu vocabulário anatômico. De vez em quando, uso termos populares e logo sou corrigido pelos professores (especialmente os de Pilates). Em alguns casos, preciso até apontar o que estou falando, porque o nome que uso vem de algum dialeto das regiões onde já morei.
É comum eu dizer “batata da perna” em vez de panturrilha; “muque” no lugar de bíceps; “munheca” substituindo punho; ou “caixa dos peito” para o tórax.
Aprendi os nomes populares dos órgãos e estou tentando me atualizar. Meu pai, por exemplo, chamava a região do quadril de “cadeiras” ou “bacia”. Lá em casa, aquele osso na frente do joelho era “rótula” — embora o nome técnico seja patela.
Mas não sou o único. Basta abrir qualquer livro de literatura regional para encontrar termos como: “pau da venta” (nariz); “bofes” (pulmões); “tripas” (intestinos); “cacunda” (lombar); e “pé do ouvido” (base do pavilhão auditivo).
Quando vou ao médico, penso muito antes de falar, tentando usar o vocabulário anatômico correto — na medida do possível. Mas se um dia eu disser que estou com dor na “Ips Pessoa”, acho que o esculápio vai ficar matutando sobre o que seja isso.
[Crônica CLXXIX/2025]
