Há poucos dias escrevi sobre uma antologia de crônicas que li, em que os cães eram o assunto principal. Também confessei que não sou exatamente chegado a cachorros, mantendo uma distância prudente deles.
Essa barreira, porém, foi quebrada há 12 anos — completados neste 1º de agosto — quando o Argus Máximus chegou à nossa casa. Foi bem definido pelo amigo Fábio Jara: “É virado em rabo e orelhas!”
O cachorrinho foi conquistando espaço e se aproveitou disso. Quando demos fé, já era a criatura mais importante da casa. Ver o sofá furado com as entranhas à mostra, ou a sandália com a tira roída, virou motivo de risada. Até um cocozinho fora do lugar passou a render piada.
Perereco e Pirulito são alguns dos apelidos que ganhou naquela época — e pelos quais ainda atende. Quando quer.
Tem isso também. É um territorialista ranzinza, que obedece só quando convém — ou se a negociação envolver qualquer tipo de petisco.
Dissimulado, late e rosna para as visitas, mas basta elas se acomodarem na poltrona para ele se voluntariar a ocupar o colo.
Então, ainda que meio sem jeito, essa é minha homenagem ao cachorrinho mais estimado da casa — sem que isso diminua o apego às outras quatro irmãs: Azula, Atena, Aurora e Fayga.
Mas hoje é dia do Argus Maximus. E para ele vai essa louvação.
[Crônica CLXXIV/2025]



