12 de julho de 2025

A malvada de Turambul – Um resumo

Por José Carlos Sá

Mais um livro que li atraído pela capa. A arte mostra uma mulher, com um charuto no canto da boca, dando um nó no corpo de uma cobra cascavel. O título também era chamativo: A Pior Mulher do Mundo (Francisco Hinojosa, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro – 1998).

Peguei o livro e, enquanto esperava a Marcela, li tudo — ora rindo da criatividade do autor, ora apreciando a arte do ilustrador Rafael Barajas, “El Fisgón” (O bisbilhoteiro, pra ti que não fala espanhol).

A mulher era tão má que até a polícia tinha medo dela (Ilustrações Rafael Barajas/Reprodução)

A história é de uma mulher má. Má mesmo. Pense numa criatura que era malvada, maldosa, maléfica, malévola, maldita, cruel, perversa, desumana, vil, insensível, desalmada, impiedosa, inclemente, dura, fria, feroz, odiosa, malevolente… ‘da mulesta’!

Morava ao norte de Turambul, numa aldeia onde era temida por todos. Aos filhos, aplicava surras quando tiravam notas baixas. Quando procediam bem, lhes colocava sumo de limão nos olhos e servia ração de cachorro no café da manhã.

As crianças da vizinhança corriam dela, junto com os adultos. Gatos, gaivotas, baratas e formigas a temiam. As flores se despetalavam de medo.

Até que, num plano silencioso, a população foi embora durante a noite. Ao acordar, a mulher má não encontrou ninguém para atormentar. Nem mesmo os próprios filhos. Restava apenas um pombo-correio, esquecido numa gaiola.

Foi então que o pobre pombo virou alvo da megera. Reproduzo o que escreveu o autor, porque nem em delírio eu poderia inventar tortura dessas:

“A pavorosa mulher divertia-se dando-lhe todos os dias migalhas de pão embebidas em molho de pimenta e água misturada com vinagre. Às vezes arrancava-lhe uma pena, outras vezes lhe torcia os dedos das patinhas.”

O choro do leão

Depois, fez um bilhete dizendo estar arrependida e o enviou pelo pombo, chamando o povo de volta. Eles acreditaram. Retornaram. E alguns dias depois, ao despertar, descobriram que a aldeia estava cercada por um muro alto construído às escondidas. (O autor, inclusive, diz não saber como isso aconteceu…)

Foi aí que a coisa piorou: ela voltou a ser “a mais malvada, a malvada das malvadas, a mais malvada das mulheres malvadíssimas do mundo”. Distribuía olhares de ódio aos generais, reguadas nas mãos dos policiais, e chegou ao ponto de arrancar os pelos da juba de um leão — que chorava feito um gatinho.

Cansada da perversidade sem fim, a população se reuniu para buscar uma solução. Após várias ideias mirabolantes serem apresentadas e descartadas, o “velhinho mais velho do povoado” propôs que todos agradecessem à mulher quando fossem alvo das maldades. Houve resistência, claro. Mas decidiram testar.

Em casa, as crianças pediam mais beliscões. Na rua, uma senhora solicitava golpes de caratê nas costas para “realinhar a vértebra”. O ápice, na minha opinião, foi o gesto do mendigo que devolveu à vilã a moeda que ela havia lhe dado:

“O que é isso, senhora? Leve seu horrível dinheiro para outro lugar. Não me insulte com sua caridade. Contente por saber que o mendigo não queria esmola, tirou da bolsa todas as notas e moedas e jogou-as no chapéu do homem.”

Sem conseguir provocar ninguém, a mulher foi embora. E ninguém sentiu sua falta. Se fosse uma fábula dos Irmãos Grimm, diria: “E foram felizes para sempre.” Mas o autor é mexicano — e conta essa história bem-humorada para lembrar o ensinamento de Jesus Cristo: fazer o bem a quem nos faz o mal.

Gostei do livrinho. E foram os dois reais mais bem gastos que me lembro.

[Resumo I/2025]

Tags

Francisco Hinojosa Jesus Cristo México Rafael Barajas 

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